Investimento em infraestrutura precisa chegar a 4,65% do PIB
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, para superar o déficit histórico de infraestrutura, o país precisaria dobrar o investimento, que ficou em 2,27% do PIB em 2024
23 SET 2026 - 10H31 • Por Wilson LopesO Brasil precisa mais que dobrar o volume anual de investimentos em infraestrutura para reduzir o déficit histórico do setor e se aproximar dos padrões internacionais. É o que aponta o estudo “Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), lançado em setembro de 2026.
Em 2024, foram investidos R$ 266,8 bilhões em infraestrutura, o equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Para alcançar o patamar considerado necessário pela entidade, o país teria de elevar os aportes para cerca de R$ 550 bilhões por ano, ou 4,65% do PIB, e manter esse nível por pelo menos duas décadas.
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O estudo mostra que o setor privado já é responsável pela maior parcela dos investimentos. Dos R$ 266,8 bilhões aplicados em 2024, R$ 188,1 bilhões, ou 70,5%, vieram de empresas privadas. Os governos responderam pelos R$ 78,6 bilhões restantes, com participação principalmente de estados e municípios.
A predominância do capital privado, no entanto, não foi suficiente para elevar o volume total de investimentos ao nível necessário para superar a defasagem acumulada na infraestrutura brasileira. A CNI defende, por isso, um novo modelo de financiamento capaz de ampliar a mobilização de recursos públicos e privados para projetos de longo prazo.
Na avaliação da entidade, esse modelo depende de condições econômicas e institucionais que reduzam os riscos para os investidores. Entre os pontos destacados estão responsabilidade fiscal, segurança jurídica, estabilidade econômica e maior previsibilidade das regras. O objetivo é criar condições para que mais capital privado seja direcionado a obras e serviços de infraestrutura sem eliminar a participação estratégica do poder público.
O levantamento também considera a evolução das fontes de recursos entre 2010 e 2024. Nesse período, o financiamento privado ganhou espaço na estrutura de investimentos, enquanto o setor público perdeu participação relativa. A mudança ampliou a importância do mercado de capitais e de instrumentos capazes de direcionar recursos privados para projetos de longa duração.
Regras mais estáveis, segurança para os contratos e fortalecimento das instituições
Para a CNI, a expansão dos investimentos também exige melhorias na estruturação dos projetos e no ambiente regulatório. Isso inclui regras mais estáveis, segurança para os contratos e fortalecimento das instituições responsáveis pela regulação dos serviços de infraestrutura.
O estudo aponta ainda que o financiamento não deve depender de uma única fonte. A estratégia proposta combina recursos públicos e privados e busca ampliar a capacidade de participação do mercado de capitais, dos bancos e de investidores de longo prazo.
A necessidade de ampliar os investimentos ocorre em um contexto no qual o país permanece próximo de 2% do PIB em aportes anuais em infraestrutura. Em 2024, os maiores volumes foram destinados a energia elétrica, transportes, saneamento básico e telecomunicações. Dados divulgados anteriormente pela CNI mostram que esses quatro segmentos receberam, respectivamente, R$ 112,8 bilhões, R$ 84,6 bilhões, R$ 41,1 bilhões e R$ 28,3 bilhões naquele ano.
O diagnóstico atual mantém uma característica observada pela CNI em estudos anteriores: o Brasil aumentou a participação privada no financiamento e no investimento, mas ainda não conseguiu elevar de forma suficiente o volume total aplicado em infraestrutura em relação ao tamanho da economia.
A proposta apresentada pela entidade, portanto, não se limita à ampliação do crédito. O objetivo é criar um ambiente capaz de transformar recursos disponíveis em investimentos efetivos, com projetos estruturados, regras previsíveis e condições para atrair capital durante períodos prolongados.
O estudo “Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil” foi apresentado pela CNI em 15 de setembro de 2026, em evento que reuniu representantes do poder público, mercado financeiro, fundos de investimento, entidades empresariais e especialistas para discutir alternativas para ampliar os investimentos no setor. Até o momento, não está disponível para download no site da instituição.
O que pode ser considerado investimento?
Rodovias
- construção de novas estradas;
- duplicação;
- pavimentação;
- ampliação de capacidade;
- recuperação e modernização de trechos.
Energia
- construção de usinas;
- linhas de transmissão;
- subestações;
- expansão das redes de distribuição.
Saneamento
- redes de água;
- estações de tratamento;
- redes coletoras de esgoto;
- estações de tratamento de esgoto;
- sistemas de drenagem.
Telecomunicações
- implantação de fibra óptica;
- redes móveis;
- infraestrutura para 4G e 5G;
- expansão da capacidade das redes.
Transportes urbanos
- metrôs;
- corredores de ônibus;
- VLTs;
- terminais;
- sistemas de transporte coletivo.
Com informações da agência de notícias da indústria.
@cnibr
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