O Brasil ganhou 17 novas Indicações Geográficas (IG) em 2026, segundo levantamento da Agência Cidades com base nos registros e publicações do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Entre janeiro e 22 de setembro, produtos tão distintos quanto tortas, banana, café, ginseng, couro de peixe, cerveja artesanal, cerâmica, polvilho e tiquira passaram a ter seus nomes geográficos protegidos. Com a concessão mais recente, para a bebida tradicional do Maranhão, o país chegou a 181 Indicações Geográficas reconhecidas.
A sequência de registros mostra a diversidade econômica e cultural associada às IG brasileiras. Os reconhecimentos abrangem produtos agrícolas, alimentos processados, bebidas, artesanato e produtos ligados à pesca. Em vários casos, a proteção envolve mais de um município, fazendo com que uma única IG alcance territórios inteiros e diferentes cadeias produtivas.
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Ao todo, sete regiões em Minas Gerais foram beneficiadas com o trabalho do Sebrae no desenvolvimento local em torno da cafeicultura. São elas: Cerrado Mineiro, Matas de Minas, Mantiqueira de Minas, Chapada de Minas, Região Vulcânica, Canastra e Sudoeste de Minas (Marcus Desimoni/NITRO/ASN)O primeiro registro de 2026 foi Carambeí, no Paraná, reconhecido em 21 de janeiro para tortas. Em fevereiro vieram Bom Jesus da Lapa, na Bahia, para banana, e Chapada de Minas, em Minas Gerais, para café. Em março, o INPI reconheceu Serra de Baturité, no Ceará, para café da espécie arábica.
Em abril, o Vale do Ribeira, em São Paulo, recebeu a Indicação de Procedência para as bananas Cavendish e Prata. A área reconhecida abrange municípios tradicionais da bananicultura paulista. O registro foi concedido em 14 de abril.
Maio concentrou uma parte importante da expansão. Querência do Norte, no Paraná, recebeu Denominação de Origem para o ginseng; Pontal do Paraná, também no Paraná, recebeu Indicação de Procedência para couro de peixe; São Joaquim, em Santa Catarina, foi reconhecido pela produção do Frescal, carne salgada e dessecada; e o Circuito das Águas Paulista recebeu IG para cafés especiais.
No caso de Pontal do Paraná, o reconhecimento está associado ao aproveitamento de peles de peixes provenientes da pesca artesanal. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, 16 produtores atuavam diretamente na atividade e cerca de 30 famílias eram beneficiadas indiretamente pela cadeia produtiva.
O café também aparece com destaque. A IG do Circuito das Águas Paulista contempla café em grão cru e café industrializado, torrado em grão ou torrado e moído, produzido em nove municípios da Serra da Mantiqueira paulista.
Em junho, foram reconhecidas duas novas IG: Panambi, no Rio Grande do Sul, para o bolo Käsekuchen, e Palmeira, no Paraná, para o Pão no Bafo. As duas manifestações gastronômicas têm relação com a formação histórica e cultural dos territórios. Em Panambi, a tradição do Käsekuchen está relacionada à imigração alemã; em Palmeira, o Pão no Bafo está ligado à influência de comunidades de imigrantes europeus estabelecidas nos Campos Gerais.
Ainda em junho, o Planalto Catarinense recebeu Denominação de Origem para o alho roxo. O reconhecimento considera fatores naturais da região, como clima subtropical frio de altitude, amplitude térmica, ocorrência de geadas e características dos solos, associados às características do produto.
O Frescal de São Joaquim (carne salgada e dessecada) foi reconhecido com a Indicação de Procedência (IP) no mês de maio (Prefeitura São Joaquim/SC)Em julho, o Circuito das Águas Paulista ganhou uma segunda IG, desta vez para a cachaça de alambique. A área reúne nove municípios e, segundo o INPI, possui mais de 350 alambiques e produtores. A atividade está associada à produção familiar, à tradição regional e ao turismo rural.
Agosto trouxe Guarapuava, no Paraná, para a lista. A cidade recebeu Indicação de Procedência para cervejas artesanais. O reconhecimento está relacionado à tradição cervejeira trazida por imigrantes europeus e à forte produção de cevada e malte na região. O INPI informa que Guarapuava responde por cerca de 20% da produção brasileira de cevada e 70% da produção paranaense.
Em setembro, três novos registros foram concedidos. Rosário, no Maranhão, recebeu Indicação de Procedência para a cerâmica produzida na região; a Região do Cará, em Goiás, ganhou proteção para o polvilho; e a Tiquira do Maranhão recebeu Indicação de Procedência para a tradicional bebida destilada de mandioca.
A Região do Cará é particularmente relevante para Goiás. O reconhecimento protege a notoriedade do território como centro produtor de polvilho. A produção mantém práticas tradicionais, incluindo fermentação natural, secagem ao sol e etapas manuais de processamento da mandioca. Com a nova IG, Goiás passou a contar com seis Indicações Geográficas.
A Tiquira encerrou, até agora, a série de reconhecimentos de 2026. Publicado em 22 de setembro, o registro é uma Indicação de Procedência e protege a bebida destilada produzida a partir da mandioca, obtida pela fermentação alcoólica e posterior destilação de beijus.
Com ela, o INPI chegou a 181 IG reconhecidas, sendo 137 Indicações de Procedência e 44 Denominações de Origem, considerando registros nacionais e estrangeiros.
O conjunto dos novos registros revela também uma característica importante do sistema brasileiro de Indicações Geográficas: a proteção não está concentrada em um único setor. Embora produtos agrícolas e alimentos tenham forte presença, a lista de 2026 inclui artesanato, bebidas, produtos derivados da pesca e alimentos associados a tradições culturais específicas.
A Indicação Geográfica é dividida em duas espécies: Denominação de Origem (DO) e Indicação de Procedência (IP)Denominação de Origem (DO) e Indicação de Procedência (IP)
Para o consumidor, a IG funciona como uma identificação oficial da origem territorial de um produto ou serviço. Para produtores e comunidades, o registro estabelece proteção jurídica para o nome geográfico e pode contribuir para diferenciação comercial, preservação de práticas tradicionais e desenvolvimento regional. O próprio INPI ressalta que a IG pode melhorar o acesso a mercados e gerar efeitos econômicos para produtores, prestadores de serviços e consumidores.
Conforme disposto no art. 176 da Lei de Propriedade Industrial (LPI), a Indicação Geográfica é dividida em duas espécies: Denominação de Origem (DO) e Indicação de Procedência (IP).
A Indicação de Procedência protege o nome geográfico que se tornou conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.
Já a Denominação de Origem protege o nome de uma região cujos produtos ou serviços possuem qualidades ou características essencialmente vinculadas às peculiaridades do meio geográfico, incluídos tanto fatores naturais quanto humanos.
AS 17 NOVAS IG DE 2026
Indicação de Procedência foi concedida para a banana produzida em Bom Jesus da Lapa, importante polo de fruticultura irrigada (Prefeitura Bom Jesus da Lapa/BA)1. Carambeí (PR) — tortas
Reconhecida em 21 de janeiro, protege a produção de tortas associada ao município paranaense.
2. Bom Jesus da Lapa (BA) — banana
Indicação de Procedência para a banana produzida no município baiano, importante polo de fruticultura irrigada.
3. Chapada de Minas (MG) — café
Indicação de Procedência que abrange 22 municípios da região produtora de café.
4. Serra de Baturité (CE) — café arábica
Reconhece a produção de café da espécie arábica em 13 municípios da Serra de Baturité.
5. Vale do Ribeira-SP — banana Cavendish e Prata
Indicação de Procedência para bananas produzidas em municípios do Vale do Ribeira paulista.
6. Querência do Norte (PR) — ginseng
Denominação de Origem para o ginseng produzido no município paranaense, considerando características vinculadas ao território.
7. Pontal do Paraná (PR) — couro de peixe
Indicação de Procedência para couro produzido a partir de peles de peixes, atividade relacionada ao reaproveitamento de resíduos da pesca artesanal.
8. São Joaquim (SC) — Frescal
Indicação de Procedência para a carne bovina salgada e dessecada, tradicionalmente produzida no município catarinense.
9. Circuito das Águas Paulista (SP) — café
Indicação de Procedência para cafés em grão cru e industrializados, torrados em grão ou moídos, produzidos em nove municípios.
10. Panambi (RS) — bolo Käsekuchen
Indicação de Procedência para o bolo de origem alemã incorporado à tradição gastronômica de Panambi.
11. Palmeira (PR) — Pão no Bafo
Indicação de Procedência para o prato tradicional preparado pelo cozimento da massa em vapor.
12. Planalto Catarinense (SC) — alho roxo
Denominação de Origem que considera as características do alho relacionadas às condições naturais do território.
13. Circuito das Águas Paulista (SP) — cachaça de alambique
Segunda IG da região em 2026, desta vez para cachaças produzidas tradicionalmente em nove municípios.
14. Guarapuava (PR) — cervejas artesanais
Indicação de Procedência que reconhece a tradição cervejeira e a cadeia produtiva ligada à cevada e ao malte da região.
15. Rosário (MA) — cerâmica
Indicação de Procedência para a cerâmica produzida na região de Rosário.
16. Região do Cará (GO) — polvilho
Indicação de Procedência que reconhece a região goiana como centro tradicional de produção de polvilho.
17. Tiquira do Maranhão (MA) — bebida de mandioca
Indicação de Procedência para a bebida destilada obtida da fermentação e destilação de beijus de mandioca.
Com informações do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
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