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Risco ambiental

No Brasil, 3.730 espécies da flora estão ameaçadas de extinção

Pau-brasil, palmito-juçara, jequitibá-rosa, araucária e castanheira estão entre as espécies ameaçadas no país, e duas espécies da Mata Atlântica são classificadas como possivelmente extintas

29/10/2026 - 11:54 Por Wilson Lopes

O Brasil tem 3.730 espécies da flora ameaçadas de extinção na lista nacional atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e divulgada em 28 de outubro de 2026. Do total, 2.162 espécies estão em perigo, 838 são consideradas vulneráveis e 728 estão criticamente em perigo. Outras duas foram classificadas como criticamente em perigo e possivelmente extintas. 

A avaliação foi conduzida pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e considera fatores como redução das populações, distribuição geográfica, fragmentação dos habitats e ameaças à sobrevivência.

A nova relação representa um aumento de 521 espécies em comparação com a lista publicada em junho de 2022, que reunia 3.209 registros. A diferença corresponde a uma elevação de aproximadamente 16,2% no total listado. O crescimento, porém, não significa necessariamente que todas essas espécies tenham passado a correr risco recentemente: mudanças no conhecimento científico, na avaliação das populações e nos critérios de classificação também podem alterar o número de registros.

Entre as espécies classificadas como vulneráveis está a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), árvore nativa da Amazônia que integra a lista desde 1992. O grupo também inclui o palmito-juçara (Euterpe edulis), espécie associada à Mata Atlântica e relevante para a economia de produtos florestais. A classificação indica risco de extinção na natureza e reforça a importância do monitoramento das populações e da conservação dos ambientes onde essas plantas ocorrem.

A categoria mais numerosa é a de espécies em perigo de extinção, com 2.162 registros. Nela estão a araucária (Araucaria angustifolia), característica das florestas com araucárias do Sul do Brasil, e o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), árvore nativa da Mata Atlântica. A distribuição dessas espécies está relacionada a diferentes formações vegetais brasileiras, o que demonstra que a ameaça à flora não se restringe a um único bioma ou região do país.

Outras 728 espécies foram classificadas como criticamente em perigo, categoria que indica risco muito elevado de extinção na natureza. Entre elas está o pau-brasil (Paubrasilia echinata), árvore nativa da Mata Atlântica e historicamente explorada pela madeira. A classificação é um instrumento técnico de conservação, mas não representa, isoladamente, uma medida da quantidade de indivíduos existentes ou da eficácia das ações de proteção em andamento.

A atualização também chama atenção para duas espécies consideradas possivelmente extintas. Uma delas é Symplocos rizzinii, árvore associada à região da Serra do Itatiaia, no Rio de Janeiro. A outra é Plinia rogersiana, nativa da Mata Atlântica, com ocorrência registrada em São Paulo. A categoria não equivale à confirmação definitiva de extinção: indica que as evidências disponíveis sustentam essa possibilidade, sujeita a revisão caso novos registros sejam encontrados.

Fragmentação dos ambientes naturais

A avaliação considera o tamanho e a tendência das populações, a área de distribuição, a fragmentação dos ambientes naturais, as ameaças existentes e as medidas de conservação. Esses critérios ajudam a identificar quais espécies necessitam de atenção prioritária e a orientar políticas públicas, pesquisas científicas e planos de recuperação. A lista nacional deve passar por revisões periódicas, conforme as regras estabelecidas pelo Ministério do Meio Ambiente.

A consulta aos registros por espécie é importante para transformar os números nacionais em informações territoriais. A localização das ocorrências, a distribuição por estado e bioma e a comparação entre as versões da lista podem revelar áreas prioritárias para conservação. Os dados gerais divulgados, entretanto, não permitem afirmar quais estados concentram o maior número de espécies ameaçadas nem quantas foram incluídas, retiradas ou reclassificadas na atualização de 2026.

Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
@mmeioambiente @mcti @jbrj.cncflora @jardimbotanicorj
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Acesse a Portaria GM/MMA nº 1.783 (26/10/2026), que reconhece como espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes da “Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção”

Acesse as Listas de Espécies do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr)

 


Tags: Meio Ambiente, Mudança do Clima, extinção, Amazônia, Mata Atlântica, Biodiversidade

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