O Brasil tem 3.730 espécies da flora ameaçadas de extinção na lista nacional atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e divulgada em 28 de outubro de 2026. Do total, 2.162 espécies estão em perigo, 838 são consideradas vulneráveis e 728 estão criticamente em perigo. Outras duas foram classificadas como criticamente em perigo e possivelmente extintas.
A avaliação foi conduzida pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e considera fatores como redução das populações, distribuição geográfica, fragmentação dos habitats e ameaças à sobrevivência.
A nova relação representa um aumento de 521 espécies em comparação com a lista publicada em junho de 2022, que reunia 3.209 registros. A diferença corresponde a uma elevação de aproximadamente 16,2% no total listado. O crescimento, porém, não significa necessariamente que todas essas espécies tenham passado a correr risco recentemente: mudanças no conhecimento científico, na avaliação das populações e nos critérios de classificação também podem alterar o número de registros.
Entre as espécies classificadas como vulneráveis está a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), árvore nativa da Amazônia que integra a lista desde 1992. O grupo também inclui o palmito-juçara (Euterpe edulis), espécie associada à Mata Atlântica e relevante para a economia de produtos florestais. A classificação indica risco de extinção na natureza e reforça a importância do monitoramento das populações e da conservação dos ambientes onde essas plantas ocorrem.
A categoria mais numerosa é a de espécies em perigo de extinção, com 2.162 registros. Nela estão a araucária (Araucaria angustifolia), característica das florestas com araucárias do Sul do Brasil, e o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), árvore nativa da Mata Atlântica. A distribuição dessas espécies está relacionada a diferentes formações vegetais brasileiras, o que demonstra que a ameaça à flora não se restringe a um único bioma ou região do país.
Outras 728 espécies foram classificadas como criticamente em perigo, categoria que indica risco muito elevado de extinção na natureza. Entre elas está o pau-brasil (Paubrasilia echinata), árvore nativa da Mata Atlântica e historicamente explorada pela madeira. A classificação é um instrumento técnico de conservação, mas não representa, isoladamente, uma medida da quantidade de indivíduos existentes ou da eficácia das ações de proteção em andamento.
A atualização também chama atenção para duas espécies consideradas possivelmente extintas. Uma delas é Symplocos rizzinii, árvore associada à região da Serra do Itatiaia, no Rio de Janeiro. A outra é Plinia rogersiana, nativa da Mata Atlântica, com ocorrência registrada em São Paulo. A categoria não equivale à confirmação definitiva de extinção: indica que as evidências disponíveis sustentam essa possibilidade, sujeita a revisão caso novos registros sejam encontrados.
Fragmentação dos ambientes naturais
A avaliação considera o tamanho e a tendência das populações, a área de distribuição, a fragmentação dos ambientes naturais, as ameaças existentes e as medidas de conservação. Esses critérios ajudam a identificar quais espécies necessitam de atenção prioritária e a orientar políticas públicas, pesquisas científicas e planos de recuperação. A lista nacional deve passar por revisões periódicas, conforme as regras estabelecidas pelo Ministério do Meio Ambiente.
A consulta aos registros por espécie é importante para transformar os números nacionais em informações territoriais. A localização das ocorrências, a distribuição por estado e bioma e a comparação entre as versões da lista podem revelar áreas prioritárias para conservação. Os dados gerais divulgados, entretanto, não permitem afirmar quais estados concentram o maior número de espécies ameaçadas nem quantas foram incluídas, retiradas ou reclassificadas na atualização de 2026.
Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
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Acesse as Listas de Espécies do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr)