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28 navios internacionais

Temporada de cruzeiros deve movimentar R$ 4,7 bilhões no Brasil

Com oferta de 800 mil leitos e expectativa de mais de 72 mil empregos, temporada segue até abril de 2027 e prevê operações em sete portos de embarque e desembarque, além de mais de 200 escalas internacionais

30/10/2026 - 10:35 Por Wilson Lopes

A temporada brasileira de cruzeiros marítimos 2026/2027 começa nesta sexta-feira (30/10), com previsão de movimentar R$ 4,72 bilhões na economia nacional e superar os 72 mil empregos associados à atividade no ciclo anterior. Com oito navios dedicados à costa brasileira e capacidade de aproximadamente 800 mil leitos, a operação terá oferta 24% maior e seguirá até 9 de abril de 2027, com reflexos sobre o comércio, a hotelaria, o transporte e os serviços turísticos de diferentes regiões do país.

A estimativa de movimentação econômica foi divulgada pelo Ministério do Turismo, com base em informações da Associação Internacional de Cruzeiros Marítimos (CLIA). A expectativa de crescimento está relacionada à ampliação da frota dedicada ao Brasil, que passa de sete para oito embarcações, além da circulação de navios internacionais.

Entre os destinos com maior potencial de movimentação econômica, Santos (SP) aparece na primeira posição, com previsão de 640 mil leitos e impacto superior a R$ 616 milhões. O município paulista concentra importante infraestrutura portuária e conexão com a Região Metropolitana da Baixada Santista.

O Rio de Janeiro (RJ) aparece na sequência, com 316 mil leitos e estimativa de R$ 304 milhões em movimentação econômica. No Sul, Balneário Camboriú (SC) deve receber 198.071 leitos, com impacto calculado em R$ 190,6 milhões, enquanto Itajaí (SC) tem previsão de 165.474 leitos e R$ 159,3 milhões.

No Nordeste, Salvador (BA) deverá receber aproximadamente 182 mil leitos, com movimentação estimada em R$ 175,2 milhões. Já Maceió (AL) tem previsão de 137 mil leitos e impacto de R$ 131,9 milhões. No Paraná, Paranaguá aparece com 36.356 leitos ofertados e potencial de movimentação de R$ 35 milhões.

Juntas, as sete cidades concentram aproximadamente R$ 1,61 bilhão em movimentação econômica estimada. Os valores indicam a importância dos destinos portuários para a distribuição regional dos benefícios da atividade, embora não representem necessariamente recursos incorporados diretamente às receitas municipais.

Mais navios internacionais

Além das oito embarcações dedicadas à costa brasileira, a temporada contará com 28 navios de longo curso, pertencentes a 22 companhias internacionais. Estão previstas mais de 200 escalas em 32 portos e pontos de parada brasileiros.

Essas operações ampliam a circulação de visitantes estrangeiros e a possibilidade de consumo nos destinos. Os gastos podem alcançar restaurantes, hotéis, estabelecimentos comerciais, serviços de transporte, passeios turísticos e atividades culturais.

A participação de estrangeiros entre os passageiros também apresentou crescimento. Segundo os dados divulgados pela CLIA, o percentual passou de 16,1% na temporada 2024/2025 para 23,9% em 2025/2026. O avanço representa 7,8 pontos percentuais, ou crescimento relativo de aproximadamente 48,4%.

A mudança no perfil dos passageiros amplia a oportunidade de inserção do Brasil no mercado internacional de turismo marítimo. Entretanto, o indicador não permite determinar isoladamente o aumento de receitas com visitantes estrangeiros, pois não apresenta os gastos médios nem o tempo de permanência em cada destino.

Turismo e geração de renda nas cidades

O impacto econômico dos cruzeiros ultrapassa as atividades realizadas dentro dos navios e nos terminais portuários. A operação envolve uma cadeia de fornecedores, trabalhadores e estabelecimentos comerciais que atendem passageiros e tripulantes durante os embarques, desembarques e escalas.

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a CLIA, referente à temporada 2025/2026, identificou movimentação de R$ 4,76 bilhões na economia brasileira e aproximadamente 72 mil postos de trabalho associados à atividade.

Somente a operação de cabotagem, que corresponde às viagens entre portos brasileiros, movimentou R$ 4,28 bilhões. Desse total, R$ 2 bilhões foram provenientes dos gastos de passageiros e tripulantes nas cidades, enquanto R$ 2,28 bilhões corresponderam às despesas das companhias com operação e logística.

O levantamento também identificou que cada R$ 1 gasto pelas companhias de cruzeiros movimentou R$ 3,89 na economia brasileira.

A atividade de cabotagem esteve associada a 64.529 postos de trabalho e R$ 166,3 milhões em tributos. Os navios internacionais de passagem acrescentaram R$ 480,94 milhões à movimentação econômica e aproximadamente 7.500 postos de trabalho.

Os resultados ajudam a dimensionar a participação do turismo marítimo na economia nacional, mas também evidenciam a importância de acompanhar a distribuição territorial dos recursos e a qualidade dos empregos gerados.

Para a temporada 2026/2027, o principal desafio será transformar o aumento da capacidade de transporte e hospedagem em maior circulação de visitantes, consumo local e oportunidades de trabalho. A infraestrutura portuária, a integração com os destinos turísticos e a capacidade de atendimento das cidades serão fatores importantes para aproveitar a expansão do setor.

Com informações do Ministério do Turismo.
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Tags: Turismo

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