Dois tornados atingiram os municípios de Chapecó e Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, na manhã de quarta-feira (4/11). Os fenômenos foram confirmados pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil após análise de imagens de radares meteorológicos, que identificaram rotação dos ventos e presença de detritos suspensos na atmosfera. A ocorrência foi associada à passagem de uma intensa linha de instabilidade que avançou do Extremo-Oeste para outras áreas da região.
O primeiro tornado foi identificado em Chapecó, por volta das 10h30. Dezoito minutos depois, aproximadamente às 10h48, os radares detectaram outro fenômeno na região de Xanxerê. Segundo a Defesa Civil, vídeos e relatos das duas localidades registraram objetos projetados pelos ventos, veículos arrastados, árvores retorcidas e estruturas metálicas danificadas.
A maior rajada de vento registrada no levantamento meteorológico ocorreu em Palmitos, onde os ventos chegaram a 127,8 km/h. Chapecó apresentou o segundo maior valor, com 126,4 km/h. Maravilha, Iporã do Oeste e Caibi também registraram velocidades superiores a 100 km/h, indicando que os efeitos da instabilidade alcançaram diferentes municípios catarinenses.
Os dados integram o monitoramento das estações meteorológicas nas 24 horas entre o meio-dia de 3 de novembro e o meio-dia do dia seguinte. O levantamento reuniu informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Ciram), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da própria Defesa Civil estadual.
Em Chapecó, a estação do INMET registrou rajadas de 126 km/h, enquanto o equipamento da Defesa Civil estadual, instalado em outro ponto do município, apontou 93 km/h. A diferença está relacionada à localização das estações e às condições específicas de cada ponto de medição.
Confirmação por radar
A identificação dos tornados ocorreu pela análise de diferentes produtos dos radares meteorológicos, que permitiram observar a circulação dos ventos no interior das tempestades. Outro indicador, denominado RhoHV, apresentou valores baixos, compatíveis com a presença de detritos levantados e transportados pela força do vento.
Em Chapecó, a proximidade do radar com a área atingida permitiu acompanhar a circulação atmosférica em altitudes próximas ao solo. A confirmação foi complementada por imagens e relatos de danos, incluindo estruturas metálicas retorcidas e arremessadas, veículos deslocados, árvores derrubadas e postes de energia danificados.
Em Xanxerê, os registros meteorológicos também apontaram circulação rotativa e sinais de detritos associados à tempestade. A combinação das informações de radar com os registros visuais permitiu confirmar o segundo tornado.
>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook
Intensidade ainda será avaliada
Apesar da confirmação dos dois fenômenos, a intensidade dos tornados ainda não foi determinada. A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil informou que realizará levantamentos com drones para identificar a extensão das áreas atingidas e avaliar os danos provocados.
A medição de rajadas nas estações meteorológicas não corresponde necessariamente à velocidade máxima dos ventos dentro de um tornado. Por isso, os registros de 126 km/h em Chapecó e 127,8 km/h em Palmitos não permitem, isoladamente, estabelecer uma classificação na Escala Fujita.
A avaliação depende da análise dos danos em edificações, estruturas, vegetação e outros elementos atingidos, além de estimativas técnicas dos ventos associados ao fenômeno.
A equipe de monitoramento da Defesa Civil estadual informou que continuaria analisando os dados dos radares, as observações das estações meteorológicas e os relatos recebidos de outras localidades. O objetivo é verificar se a mesma linha de instabilidade provocou outros fenômenos meteorológicos severos em Santa Catarina.
A ocorrência reforça a importância do monitoramento meteorológico e dos sistemas de alerta para a prevenção de desastres associados a tempestades intensas, especialmente em regiões sujeitas a rajadas de vento, granizo e circulação atmosférica rotativa.
Polos econômicos da Região Sul
Localizado no Oeste de Santa Catarina, Chapecó é um dos principais polos econômicos do interior da Região Sul e exerce influência regional nas áreas de comércio, saúde, educação, serviços e logística. Com economia fortemente vinculada ao agronegócio e à indústria de alimentos, o município abriga importantes empresas do setor de proteína animal e concentra serviços que atendem cidades vizinhas. A ocorrência do tornado em 4 de novembro atingiu áreas urbanas e provocou danos em edificações, estruturas e no aeroporto municipal.
Também situado no Oeste catarinense, Xanxerê é um importante centro regional, com economia baseada na agropecuária, na indústria, no comércio e na prestação de serviços. O município integra uma região marcada pela produção de grãos, criação de animais e atividades agroindustriais.
Escala Fujita (F0 a F5)
A intensidade dos tornados é classificada pela Escala Fujita (F0 a F5), que considera os danos provocados para estimar a velocidade dos ventos. A categoria F0 corresponde a ventos de 65 a 116 km/h, com danos leves; F1, de 117 a 180 km/h, com danos moderados; F2, de 180 a 253 km/h, com danos consideráveis; F3, de 253 a 332 km/h, com danos severos; F4, de 332 a 418 km/h, com danos devastadores; e F5, de 418 a 511 km/h, associado à destruição extrema. A classificação depende da avaliação técnica dos estragos, e não apenas das rajadas registradas por estações meteorológicas.
No Brasil, os tornados são geralmente classificados entre F0 e F1 na Escala Fujita, mas o país também registra fenômenos de intensidade elevada, incluindo ocorrências F2, F3 e até F4.
A Região Sul, especialmente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, concentra a maior parte dos registros conhecidos. Também há ocorrências no Sudeste e no Centro-Oeste.
Um exemplo recente é o tornado que atingiu o Paraná em 7 de novembro de 2025. O Simepar classificou os fenômenos que passaram por Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava como F4, com ventos estimados entre 332 e 418 km/h.
Contudo, não existe um cadastro nacional oficial e completo de tornados no Brasil. Um estudo da Universidade Estadual de Ponta Grossa identificou 581 ocorrências entre 1975 e 2018, evidenciando também as limitações históricas de monitoramento.
Com informações da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil.
@defesacivilsc @prefeituradechapeco @prefeitura_de_xanxere @governosc @inmet.oficial @epagri
#SantaCatarina #Chapecó #Xanxerê #Palmitos #Tornado #TornadosNoBrasil #DefesaCivil #Meteorologia #FenômenosMeteorológicos #Tempestade #VentosFortes #Clima #DesastresNaturais #MonitoramentoMeteorológico #AgênciaCidades
Acesse a página da Prefeitura de Chapecó (SC) - Temporal de 04/11 — onde buscar ajuda
Assista ao vídeo: