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Moradia compartilhada

Projeto Une.Idades combate solidão e crise habitacional

Iniciativa portuguesa oferece moradia acessível a estudantes e promove a convivência com pessoas idosas que vivem sozinhas

3/11/2026 - 09:58 Por Wilson Lopes

Uma iniciativa desenvolvida em Lisboa, em Portugal, já formou cerca de 80 duplas entre pessoas idosas que possuem quartos disponíveis em suas residências e estudantes universitários que precisam de moradia. Criado pela associação Une.Idades, o projeto de moradia compartilhada busca enfrentar simultaneamente o isolamento social da população mais velha e a dificuldade de acesso ao alojamento estudantil, oferecendo hospedagem a preços inferiores aos praticados pelo mercado e incentivando a convivência entre gerações.

Com menos de três anos de funcionamento, a iniciativa aproxima pessoas com mais de 60 anos e universitários de 18 a 35 anos que estudam fora de suas cidades de origem. A proposta prevê que os idosos disponibilizem um quarto em suas casas e recebam uma contribuição mensal para ajudar nas despesas. Em contrapartida, os estudantes oferecem companhia e auxílio em pequenas tarefas domésticas.

O projeto foi idealizado por Inês Schmidt, que se inspirou em experiências semelhantes desenvolvidas em outros países. A iniciativa surgiu com o objetivo de combater a solidão entre os mais velhos, mas, durante sua implantação, também identificou a dificuldade enfrentada pelos jovens para encontrar moradia nas cidades universitárias.

Segundo a fundadora, a associação recebe mais inscrições de estudantes do que de idosos interessados em compartilhar suas residências. A diferença entre a procura e a disponibilidade de quartos evidencia o desafio habitacional enfrentado pelos universitários.

Quartos em Lisboa custam € 550 por mês

A pressão sobre o mercado imobiliário ajuda a explicar a procura por alternativas. Em Lisboa, o preço mediano de um quarto em imóvel compartilhado chegou a € 550 mensais no segundo trimestre de 2026, conforme levantamento do portal Idealista.

Em Portugal, a procura por quartos para alugar aumentou 27% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a oferta diminuiu 11%. Apesar desse desequilíbrio, os preços avançaram apenas 1% na média nacional, resultado das diferentes variações registradas entre os municípios.

O levantamento também mostra diferenças regionais. No Porto, o preço mediano de um quarto foi de € 450 mensais, enquanto em Coimbra, importante centro universitário português, chegou a € 335.

Nesse cenário, o compartilhamento de residências representa uma alternativa para estudantes que precisam se estabelecer em outra cidade sem comprometer uma parcela elevada do orçamento com aluguel.

Na Une-Idades, cada dupla é acompanhada por um coach de vida e relações, que realiza chamadas regulares e visitas presenciais para conhecer de perto a relação, acompanhar a sua evolução e estar presente nos momentos que mais importam @une.idades

Seleção considera compatibilidade entre moradores

A participação no programa não ocorre por meio de uma simples oferta de quartos. A Une.Idades realiza um processo de seleção que começa com inscrições e questionários sobre características pessoais, hábitos, expectativas e necessidades dos candidatos.

Depois dessa etapa, são realizadas entrevistas individuais para identificar possíveis combinações entre os participantes. Quando há compatibilidade, os interessados se conhecem pessoalmente e, caso concordem com a experiência, formalizam a convivência por contrato.

A associação trabalha com três modalidades contratuais, cujos valores variam conforme as responsabilidades e o apoio oferecido por cada participante. A entidade informa que o custo total para o estudante permanece abaixo da média do mercado.

O acompanhamento também faz parte do programa. A equipe oferece suporte e mediação durante a convivência, com o objetivo de prevenir conflitos e garantir condições adequadas para os dois moradores.

Há um ano, a Dulce e a Leonor começaram a partilhar mais do que uma casa: partilharam histórias, experiências e uma amizade que cresce a cada dia @une.idades

Convivência também estimula envelhecimento ativo

Além da questão financeira, a iniciativa procura ampliar a participação social dos idosos. A presença de estudantes nas residências pode favorecer a troca de conhecimentos, o auxílio no uso de tecnologias e a retomada de atividades cotidianas.

A experiência de Margarida Morais, de 86 anos, apresentada pela Euronews, ilustra essa dinâmica. Moradora da freguesia da Ajuda, em Lisboa, ela recebeu estudantes em sua casa e encontrou na convivência uma alternativa à rotina solitária.

Uma das jovens acolhidas foi Liliana Guerreiro, de 27 anos, que se mudou para a capital portuguesa para cursar mestrado. A estudante encontrou um quarto e uma rede de convivência, enquanto Margarida passou a contar com companhia em diferentes momentos do dia.

A iniciativa também prevê a participação de pessoas idosas que vivem sozinhas ou em casal, desde que sejam independentes e tenham um quarto em boas condições para receber um estudante.

O modelo não substitui serviços de assistência social, cuidados domiciliares ou políticas públicas de habitação. A proposta é promover uma relação de benefício mútuo, na qual o compartilhamento do espaço doméstico contribui para reduzir o isolamento e ampliar as opções de moradia.

Com cerca de 80 duplas formadas, a experiência portuguesa mostra como residências com espaços disponíveis podem ser incorporadas a estratégias de enfrentamento da crise habitacional e de promoção do envelhecimento ativo, aproximando gerações que enfrentam desafios diferentes, mas que podem encontrar na convivência uma alternativa comum.

Com informações da Une.Idades.
@une.idades
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Acesse o site da Une.Idades

Assista ao vídeo:







 

 


Tags: Habitação, 60+, crise habitacional, envelhecimento ativo

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