sexta, 06 de novembro de 2026
Logo Agência Cidades
sexta, 06 de novembro de 2026
Sex, 06 de Novembro
(62) 99183-3766
Até 6,8% menos risco

Jardins e parques estão associados a menor risco de diabetes

Estudo com 423 mil pessoas no Reino Unido identificou menor incidência de diabetes tipo 2 entre moradores com maior presença de jardins residenciais e múltiplos parques nas proximidades de casa

6/11/2026 - 15:04 Por Wilson Lopes

A presença de jardins residenciais e de vários parques públicos nas proximidades das moradias está associada a uma menor incidência de diabetes tipo 2, segundo pesquisa publicada em 2 de julho de 2026 na revista científica BMC Public Health. O estudo analisou 423.282 pessoas no Reino Unido durante um período mediano de 15,41 anos e identificou uma redução de até 6,8% no risco da doença entre participantes com maior exposição a jardins residenciais.

A pesquisa utilizou informações do UK Biobank, banco de dados que reúne informações de saúde, características socioeconômicas e hábitos de vida de centenas de milhares de pessoas. Do total de participantes incluídos na análise, 19.648 desenvolveram diabetes tipo 2 durante o acompanhamento.

Os pesquisadores compararam diferentes tipos de exposição à vegetação, considerando a cobertura de jardins particulares, a presença de áreas verdes em geral e o acesso a parques públicos. Os resultados indicaram que os benefícios associados à vegetação não são iguais para todas as categorias analisadas.

Entre os participantes com maior cobertura de jardins residenciais no entorno das casas, o risco de desenvolver a doença foi 6,8% menor em comparação com aqueles situados no grupo de menor exposição. A avaliação considerou a proporção de terrenos classificados como jardins particulares em um raio de 100 metros das residências.

A quantidade de parques públicos também apresentou associação com a incidência da doença. Moradores que tinham mais de três parques em um raio de 800 metros de casa apresentaram risco 5,7% menor em comparação com pessoas que viviam em áreas com apenas um parque ou nenhum. A distância de 800 metros corresponde aproximadamente a um percurso de dez minutos de caminhada, segundo o critério adotado pelos pesquisadores.

>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a
Agência Cidades no Facebook

A distribuição dos espaços verdes nas cidades pode estar relacionada não apenas à qualidade ambiental dos bairros, mas também às condições de saúde de seus moradores WLA/LUC (london.gov.uk)

Proximidade isolada não apresentou o mesmo resultado

Um dos resultados que chamaram a atenção dos pesquisadores foi a ausência de associação significativa entre a distância até o parque mais próximo e a incidência de diabetes. A análise considerou tanto a distância em linha reta quanto o percurso efetivamente possível pelas ruas e caminhos.

O resultado sugere que a simples existência de um parque nas proximidades não é suficiente para explicar a relação observada. A quantidade de espaços públicos disponíveis no entorno residencial apresentou associação mais consistente.

Outro dado relevante é que a cobertura total de áreas verdes também não apresentou associação significativa com a redução da incidência da doença. O resultado reforça a importância de distinguir jardins particulares, parques públicos e outras categorias de vegetação nas pesquisas sobre saúde urbana.

Desigualdade social também aparece nos resultados

A pesquisa identificou associações mais expressivas entre a presença de jardins residenciais e a menor incidência de diabetes em participantes que viviam em áreas com maiores níveis de privação socioeconômica. O resultado também foi observado entre pessoas sem histórico familiar da doença.

O achado acrescenta uma dimensão social ao debate sobre planejamento urbano. A distribuição dos espaços verdes nas cidades pode estar relacionada não apenas à qualidade ambiental dos bairros, mas também às condições de saúde de seus moradores.

A disponibilidade de jardins particulares, entretanto, depende de características das moradias e da renda das famílias. Por isso, os pesquisadores também destacam a relevância dos parques públicos e dos espaços comunitários como alternativas para ampliar o acesso à vegetação.

Os resultados contribuem para o debate sobre a relação entre saúde pública, ambiente urbano e qualidade de vida WLA/LUC (london.gov.uk)

Pesquisa não comprova prevenção da doença

Apesar dos resultados, os autores ressaltam que o estudo identificou associações estatísticas, não uma relação direta de causa e efeito. Portanto, não é possível afirmar que morar perto de jardins ou parques, isoladamente, previna o diabetes.

A pesquisa também apresenta limitações. Os participantes tinham idade média de 56,36 anos e 95,09% eram brancos, características que restringem a generalização dos resultados para populações com perfis demográficos diferentes.

Além disso, a identificação dos novos casos de diabetes foi baseada em registros de internações hospitalares. Isso significa que diagnósticos realizados exclusivamente em outros serviços de saúde podem não ter sido contabilizados da mesma maneira.

Os autores são vinculados a instituições de pesquisa da Austrália, dos Estados Unidos e do Reino Unido, incluindo a Universidade de Queensland, a Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan, a Universidade de Exeter e a Universidade de New South Wales.

Os resultados contribuem para o debate sobre a relação entre saúde pública, ambiente urbano e qualidade de vida, especialmente na formulação de políticas que ampliem a presença e a distribuição de áreas verdes nas cidades.

Com informações da BMC Public Health.
@uniofqld @ukbiobank @harvardchansph
#Saúde #Diabetes #DiabetesTipo2 #ÁreasVerdes #Jardins #ParquesUrbanos #SaúdePública #QualidadeDeVida #PlanejamentoUrbano #MeioAmbiente #PesquisaCientífica #ReinoUnido

Acesse o estudo ‘Private garden exposure and public park access in relation to type-2 diabetes incidence: a UK Biobank cohort study’

 

 

Tags: Meio Ambiente, Mudança do Clima, soluções baseadas na natureza, Habitação

Veja, também