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Estado de emergência

Agora a Venezuela é problema de quem?

Ainda permanecem indefinidos o número final de vítimas, o total de desaparecidos, o valor econômico dos prejuízos, o prazo completo para reconstrução e a quantidade definitiva de imóveis condenados

30/06/2026 - 09:07 Por Wilson Lopes

Os dois terremotos ocorridos em 24 de junho de 2026, de magnitudes 7,2 e 7,5, separados por apenas 39 segundos, configuraram um dos maiores desastres naturais da história recente da Venezuela. Segundo o Ministério do Poder Popular da Presidência e Monitoramento da Gestão Governamental (MPP), o governo decretou estado de emergência nacional, mobilizou as Forças Armadas, equipes de proteção civil e o sistema público de saúde para operações de busca, resgate e assistência humanitária.

Cinco dias após (29/06), conforme o MPP, o estado de emergência permanece em vigor; as operações de busca e resgate continuam nas áreas mais atingidas; estão sendo instalados abrigos temporários para famílias desalojadas; os prédios, pontes, hospitais e aeroportos estão passando por avaliação estrutural; a prioridade definida é o restabelecimento de energia, água e transportes; e o recebimento de ajuda internacional e coordenação de equipes humanitárias continua a aumentar.

Os danos concentram-se principalmente nas regiões de La Guaira, Caracas, Carabobo, Yaracuy e Aragua. Nessas áreas ocorreram colapso de edifícios residenciais, danos em hospitais, interrupções no fornecimento de energia, rompimento de redes de água, danos em rodovias e infraestrutura urbana, além do fechamento temporário do Aeroporto Internacional de Maiquetía.

O balanço mais recente divulgado pelo governo local indica aproximadamente cerca de 1.450 mortos e 3.150 feridos. Até o momento a energia foi restabelecida em 75% de La Guaira e o abastecimento de água já voltou para 68% da população.

As autoridades venezuelanas informam que os próximos dias continuarão sendo dedicados a buscas por sobreviventes, levantamento definitivo dos danos, reconstrução de moradias, recuperação da infraestrutura pública e retorno gradual dos serviços essenciais.

Especialistas também alertam para a possibilidade de novas réplicas sísmicas de menor intensidade, embora não haja previsão confiável de novos grandes terremotos.

Ainda permanecem indefinidos o número final de vítimas, o total de desaparecidos, o valor econômico dos prejuízos, o prazo completo para reconstrução, e a quantidade definitiva de imóveis condenados.

Esses números continuam sendo atualizados conforme avançam as operações de resgate e as inspeções estruturais.

73.736 famílias afetadas pelos terremotos

O presidente da Assembleia Nacional (AN), Jorge Rodríguez, detalhou que mais de 4.000 pessoas estão desabrigadas e que o governo registrou 2,5 mil estruturas danificadas em todo o país.

Ele também observou que o duplo terremoto colapsou 774 edifícios em diversas partes do país, sendo 189 totalmente derrubados e 585 prédios parcialmente colapsados. Além dos prédios, foram afetadas as estruturas físicas de 38 hospitais, 44 centros comerciais e 1,6 mil estradas, pontes e outras infraestruturas, afetando 73.736 famílias, das quais 3.142 estão atualmente recebendo assistência em abrigos.

O país, segundo Rodríguez, registrou 302 réplicas após os dois terremotos consecutivos. Já a presidente em exercício da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a chegada de equipes de resgate de diversos países, incluindo El Salvador, México, República Dominicana, Suíça, Equador, Espanha, Chile, Colômbia, Estados Unidos e Brasil. Ela também informou que contingentes de ajuda humanitária estão sendo enviados da Alemanha, Holanda e Itália.

Hospitais e escolas

O representante do Unicef na Venezuela, Manuel Rodriguez Pumarol comentou que os hospitais estão operando muito acima de sua capacidade e que milhares de crianças não têm acesso confiável a água potável e muitas escolas sofreram danos.

Os hospitais de Caracas e dos estados de La Guaira, Carabobo, Aragua e Falcón estão em situação crítica e o atendimento a crianças e mulheres grávidas está comprometido.

Ao todo, 432 escolas na região atingida – mais de um terço do total – foram danificadas. As escolas que não sofreram danos estão funcionando como abrigos temporários para atendimento aos desabrigados.

Equipes de emergência do Unicef foram mobilizadas para atender cerca de 650 mil pessoas, entre elas, 234 mil crianças, com assistência nas áreas de saúde, nutrição, água e saneamento.

Uma carga de ajuda humanitária com 20 toneladas de suprimentos médicos do Unicef já chegou à Venezuela. Outra carga de suprimentos, vinda de Copenhague, está prevista para chegar nos próximos dias. Juntas, as remessas são suficientes para atender 100 mil pessoas.

O Unicef prevê que sejam necessários US$ 52 milhões para atender à emergência provocada pelos terremotos. O fundo já mobilizou US$ 3,5 milhões para as equipes e suprimentos, em um primeiro momento.

Com informações de Angel Castillo, Eleonor Sánchez, MPP, e da Agência Brasil.

Acesse o Ministério do Poder Popular da Presidência e Monitoramento da Gestão Governamental (MPP)

 

 


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