Beheira, Egito – Antes uma vila em dificuldades, Nagaa Aoun, província de Beheira, no Egito, ao norte do Cairo, passou por uma transformação significativa. Por meio da agricultura em telhados, a comunidade se tornou autossuficiente em vegetais e tem uma renda estável.
Liderando esse esforço está Ragab Rabie, um homem de 45 anos que iniciou o conceito na vila há 10 anos. Ex-pescador, Rabie foi inspirado por um vídeo de um fazendeiro chinês cultivando plantações em seu telhado. Vendo uma oportunidade de melhorar sua situação financeira e a de outros moradores, ele começou a buscar maneiras de implementar a ideia localmente.
A vila, situada entre pequenos lagos salgados e terras áridas, enfrentou dificuldades econômicas anteriormente. Muitos homens trabalhavam como diaristas em cidades próximas, encontrando empregos em construção, conserto de automóveis e agricultura.
Após pesquisar sobre agricultura hidropônica, Rabie convenceu vários moradores a participar de um projeto-piloto. “O desafio inicial era que a maioria das casas na vila era feita de palha e junco, inadequadas para agricultura em telhados. No entanto, com a ajuda de empréstimos de bancos e instituições de crédito, muitos moradores construíram casas com telhados de concreto, perfeitas para instalar unidades hidropônicas”, relata Rabie.
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As unidades podem ser cultivadas quatro vezes por ano, usando menos de um quarto da água necessária nos métodos agrícolas tradicionais (Ahmed Gomaa/Xinhua)Subiu no telhado
Atualmente, os moradores de Nagaa Aoun estão colhendo os benefícios da agricultura em telhados. Rabie disse que cada unidade hidropônica, medindo 105 cm de largura e 3 metros de comprimento, pode produzir 405 mudas, o equivalente à produção de 175 metros quadrados de terra.
As unidades podem ser cultivadas quatro vezes por ano, usando menos de um quarto da água necessária nos métodos agrícolas tradicionais, já que o sistema hidropônico circula a água em um circuito fechado, reduzindo o desperdício.
De acordo com Rabie, o projeto reduziu significativamente o desemprego na vila em 95% e melhorou os padrões de vida, com os moradores se beneficiando de melhores moradias, roupas e alimentos.
Rabie acredita que soluções inovadoras como a agricultura em telhados são essenciais para o futuro da agricultura do Egito, já que apenas 3 a 4% das terras do país são aráveis. “Os moradores não são donos de terras agrícolas, mas são donos dos telhados de suas casas”, ressalta.
Rabie e os moradores de Nagaa Aoun planejam promover a agricultura em telhados em vilas vizinhas, na esperança de aumentar a segurança alimentar e a estabilidade econômica no Egito rural.
Cada unidade hidropônica, medindo 105cm de largura e 3 metros de comprimento, pode produzir 405 mudas, o equivalente à produção de 175 metros quadrados de terra (Ahmed Gomaa/Xinhua)Avanços na tecnologia
Rabie também acompanha os avanços na tecnologia chinesa de agricultura em telhados e espera colaborar com empresas chinesas para melhorar a produção e a renda local. “A China é avançada no campo da agricultura em telhados, e podemos aprender muito com essa experiência e tecnologias”, disse.
Khaled Guwaida, 50 anos, ex-eletricista, foi convencido por Rabie a tentar a agricultura em telhados e teve sucesso na vila antes empobrecida. “Fiz um empréstimo, construí uma nova casa e instalei uma unidade hidropônica no telhado”.
Guwaida agora opera um viveiro, vendendo sementes e mudas para fazendeiros tradicionais, proporcionando uma renda estável para si e oportunidades de emprego para os jovens locais. “Meu negócio apoia os jovens da vila que ainda não têm os meios para estabelecer suas próprias fazendas em telhados”, comenta.
A iniciativa também chegou à Universidade de Alexandria, onde os moradores ajudaram a montar unidades hidropônicas para fornecer mudas e plantas aromáticas para pesquisa agrícola. “Queremos ser um modelo para outras vilas e ajudar a difundir este método agrícola por todo o país”, planeja Guwaida.
Com informações de Ahmed Shafiq, Xinhua.





