Um mundo complexo, diverso e fascinante, que ocupa uma área de 5.083.452,97 km², o que equivale aos territórios da Argentina (2.780.400 km²), Paraguai (406.752 km²), Uruguai (177.015 km²), Chile (756.096 km²) e Venezuela (916.445 km²) juntos (5.036.708 km²).
Para desvendar os segredos desse universo à parte, a Embrapa, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, acaba de publicar o ‘Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia - Informações e análises sobre realidades diferenciadas para subsídio a ações em sociobioeconomia’.
Segundo o editor técnico do estudo, Roberto Porro, a obra adota uma abordagem territorial para a apresentação de dados e informações subtraídos de 1.200 variáveis, considerando a demografia e ambiente; estrutura fundiária e categorias territoriais; produção agropecuária, extração vegetal e silvicultura; e indicadores
sociais.
O editor explica que o estudo considerou como referência a diversidade de contextos socioecológicos expressos na extensão geográfica da Amazônia Legal Brasileira (ALB) e suas 107 microrregiões geográficas delimitadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Instituída por lei em 1953, a Amazônia Legal Brasileira (5.015.067,75 km², equivalente a 58,9% do território brasileiro) engloba nove estados e 773 municípios: Acre (22), Amapá (16), Amazonas (62), Mato Grosso (141), Pará (144), Rondônia (52), Roraima (15), Tocantins (139) e parte do Maranhão (181 municípios, dos quais 21 foram parcialmente integrados).
A população nos nove estados da ALB alcançou o total de 27.790.232 pessoas, das quais 6.204.764 viviam em domicílios considerados em situação rural (IBGE/2022).
Cupuaçu e amêndoas ao lado do sabonete feito com a manteiga de cupuaçu, como exemplo do modelo de desenvolvimento produtivo e econômico baseado na bioeconomia (Ronaldo Rosa/Embrapa)Bioeconomia
Conforme o ‘Atlas da Bioeconomia’, no Brasil, a Amazônia apresenta múltiplas conceituações, que incluem desde a bacia hidrográfica, o bioma e a classificação
político-administrativa. Para fins do estudo, foi considerada a denominação da Amazônia Legal Brasileira (ALB).
Para conceituar a bioeconomia, o estudo considerou o Decreto nº 12.044/2024, que institui a Estratégia Nacional de Bioeconomia, onde o governo brasileiro define o tema como o “modelo de desenvolvimento produtivo e econômico baseado em valores de justiça, ética e inclusão, capaz de gerar produtos, processos e serviços, de forma eficiente, com base no uso sustentável, na regeneração e na conservação da biodiversidade, norteado pelos conhecimentos científicos e tradicionais e pelas suas inovações e tecnologias, com vistas à agregação de valor, à geração de trabalho e renda, à sustentabilidade e ao equilíbrio climático.”
Nos nove estados que compõem a ALB, o IBGE considera 107 microrregiões geográficas e 102 regiões geográficas imediatas (incluindo as do Maranhão que não estão oficialmente integradas na ALB).
Pirarucu, um peixe nativo da bacia amazônica e um dos maiores peixes de água doce do mundo (Síglia Regina dos Santos Souza/Embrapa)As ‘Amazônias’ e suas realidades
Segundo o ‘Atlas da Bioeconomia’, numa comparação dos dados presentes no documento, em relação aos dois maiores estados da região, o Amazonas e o Pará, a concentração fundiária e a vulnerabilidade social em ambos os estados são desafios a serem enfrentados para o fortalecimento de modelos econômicos sustentáveis, essenciais para mitigar a crise climática.
Conforme o estudo, o Amazonas é o estado mais conservado da região, com 93,22% de cobertura florestal.
“Essa natureza rica em biodiversidade é um importante ativo para a bioeconomia. Para isso, é necessário viabilizar projetos e atrair investimentos para pesquisa e desenvolvimento (P&D), a partir de espécies nativas e uso da biodiversidade. Nesse sentido, uma oportunidade está também nas iniciativas com potencial de incentivar a prospecção e transformação de ativos da biodiversidade em produtos de alto valor agregado, como insumos farmacêuticos ativos e biocosméticos, entre outros”.
Entre as informações do documento, é considerado que a efetiva descontinuidade de desmatamentos e queimadas na Amazônia depende do aproveitamento parcial das áreas desmatadas, inserindo atividades produtivas adequadas e da recuperação de áreas.
Um dos principais propósitos do ‘Atlas da Bioeconomia’ é apresentar a diversidade de realidades socioeconômicas e ambientais existentes nos contextos rurais da Amazônia brasileira, por meio da sistematização de vários conjuntos de dados e informações, assim como subsidiar estratégias, planos, programas e políticas orientadas a uma agenda de ação em prol da bioeconomia inclusiva na região, conforme explica a diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler.
Com informações de Síglia Souza, Embrapa Amazônia Ocidental.
@embrapa @rporro1908
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