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Repórteres Sem Fronteiras

Brasil avança 58 posições no ranking de liberdade de imprensa

Em quatro anos, o país saiu da 110ª para a 52ª posição no levantamento global que avalia a liberdade desfrutada por jornalistas e meios de comunicação em 180 países

1/05/2026 - 12:44 Por Luiz Claudio Ferreira, Agência Brasil.

O Brasil chegou à 52ª colocação no último ranking que avalia a liberdade de imprensa no mundo. Com o resultado, o país cresceu 58 posições desde 2022, quando estava na 110ª posição, e ultrapassou, pela primeira vez, os Estados Unidos, que ocupa a 64ª posição.

O levantamento foi divulgado pela organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF). 

Em relação ao ano de 2025, o Brasil cresceu 11 posições. Na América do Sul, ficou atrás apenas do Uruguai, que está na 48ª colocação. Segundo a Repórteres Sem Fronteiras, no entanto, o caso de melhora brasileiro é uma das exceções no mundo.

“Trata-se de um avanço muito expressivo em um contexto em que a maioria dos países tem vivido um cenário de deterioração”, considerou o diretor da ONG para a América Latina, o jornalista brasileiro Artur Romeu. 

Para ele, o Brasil é um ponto fora da curva com evolução depois dos momentos de tensão durante o governo de Jair Bolsonaro, quando havia ataques diários contra jornalistas. 

“Um dos marcadores é um cenário de volta à normalidade, a uma relação institucional dentro de um ambiente democrático entre um governo e a imprensa”, afirmou Romeu.

Outro motivo de evolução brasileira foi não ter jornalistas assassinados no país desde a morte de Dom Philips, em 2022, na Amazônia. Entre 2010 e 2022, foram 35 jornalistas assassinados no Brasil. Além disso, o país tem estruturado ações de proteção ao trabalho jornalístico.

“O Brasil tem observado uma agenda da regulação das plataformas, de inteligência artificial, da defesa da integridade da informação e do enfrentamento à desinformação.”

Outras medidas pontuais citadas pelo diretor na entidade foram a criação de um ‘Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas’ e a adoção de um protocolo de investigação de crimes cometidos contra a imprensa. No entanto, Artur Romeu contextualiza que o crescimento do Brasil tem também relação com a degradação da situação em outras nações. 

Artur Romeu, diretor da Repórteres Sem Fronteiras, explica que a evolução do Brasil é um ponto fora da curva depois dos momentos de tensão durante o governo de Jair Bolsonaro, quando havia ataques diários contra jornalistas (Antônio Cruz/ABr)

Parâmetro negativo

A pontuação do Brasil subiu 11 pontos. Por outro lado, os Estados Unidos têm se tornado um parâmetro negativo, já que também encorajaram outros governos mais alinhados aos Estados Unidos a adotarem e reproduzirem práticas semelhantes. 

“Os efeitos disso vêm sendo constatados também na Argentina, do presidente Javier Milei. O país já caiu 69 posições desde 2022 para cá”.

No caso dos Estados Unidos, segundo avalia o diretor da ONG, é que o governo opera para instrumentalizar uma visão deturpada de liberdade de expressão ao atacar a imprensa. 

“A gente vê, em vários desses países, uma lógica de hostilidade sistêmica ao trabalho da imprensa, que capitaliza ganhos eleitorais ao alimentar uma lógica de polarização política”.

Pressões

As ameaças não chegam apenas de representantes eleitos. Há, ainda como exemplo, a instrumentalização da Justiça para intimidar jornalistas e a imprensa. A imprensa brasileira também seria alvo de processos judiciais abusivos.

“Há um cenário de criminalização do jornalismo, que é quando, por meio de legislações, são usadas para calar a imprensa.”

Artur Romeu explica que, nos últimos quatro anos, quatro dos cinco indicadores do Brasil subiram. Apenas um caiu. Foi o que mede questões como a percepção de confiança da sociedade à imprensa, o volume e intensidade de campanhas de ódio contra jornalistas, a pluralidade de opiniões refletidas na imprensa e a percepção sobre autocensura de jornalistas.

Profissionais de imprensa acompanham o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus da trama golpista no STF (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr)

Pelo mundo

Segundo o relatório, pela primeira vez na história do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, mais da metade dos países do mundo se encontra em uma situação difícil ou grave.

Nos 25 anos em que é feito o ranking, a pontuação média de todos os países do mundo nunca foi tão baixa. A situação dos Estados Unidos, por exemplo, é observada no relatório em função de que o presidente Donald Trump transformou os ataques aos jornalistas, na avaliação dos pesquisadores, em uma prática sistemática. Isso fez com que houvesse uma queda de sete posições neste ano.

De acordo com o relatório, o jornalismo nas Américas apresenta tendência de autoridades que agravam as pressões por caminhos como “retórica hostil”, “restrições jurídicas e administrativas”, “acesso limitado à informação pública” e “instrumentalização dos sistemas jurídicos”. 

No caso dos Estados Unidos, há ainda a prática de cortes orçamentários em emissoras públicas, interferências políticas na propriedade dos meios de comunicação e investigações com motivação política contra jornalistas e veículos de imprensa. 

“Desde seu retorno ao poder, os jornalistas também passaram a ser alvo durante manifestações, o que reflete uma deterioração mais ampla que constitui uma das crises mais graves para a liberdade de imprensa na história moderna dos Estados Unidos”, ressalta o relatório.

A Argentina, sob o governo de Javier Milei, também teve queda na situação de liberdade de imprensa. Chegou à 98ª posição após cair 11 posições. Já há uma perda de 69 posições desde 2022.

Ainda nas Américas, o Equador teve a maior queda na região (com 31 posições), por causa do avanço do crime organizado que matou três jornalistas no último ano. O Peru (144ª), que teve quatro jornalistas assassinados no ano passado, perdeu 14 posições no ranking este ano. Isso significou queda de 67 posições desde 2022.

Na América Central, El Salvador (na posição 143ª) manteve sua tendência de queda, com perda de 74 posições desde a chegada, em 2019, do presidente Nayib Bukele ao poder. 

Na América do Norte, o México (122ª) é o país da região com uma das piores pontuações do indicador de segurança, perdendo apenas para a Nicarágua (172ª). Na lanterna da região, seguem países como Nicarágua (172ª), Cuba (165ª) e Venezuela (160ª), onde a liberdade de imprensa permanece em seu nível mais baixo. As piores posições globais são do Irã, China, Coreia do Norte e Eritreia, segundo o relatório.

A melhor posição das Américas é a do Canadá (em 20º). Os 19 primeiros são todos europeus. O ranking é liderado pela Noruega, seguida da Holanda e da Estônia.

“A liberdade de imprensa é a possibilidade efetiva dos jornalistas, como indivíduos e como coletivos, selecionarem, produzirem e divulgarem informações de interesse geral, independentemente de interferências políticas, econômicas, jurídicas e sociais, e sem ameaça à sua segurança física e mental”, conclui o relatório.

O objetivo do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa é comparar o grau de liberdade desfrutado por jornalistas e meios de comunicação em 180 países ou territórios. A definição de liberdade de imprensa adotada pela RSF e seu painel de especialistas para elaborar o Ranking se desdobra em cinco pilares distintos, ou cinco indicadores (contexto político, arcabouço jurídico, contexto econômico, contexto sociocultural e segurança).

Com informações da Agência Brasil.
@RSF_pt @govbr @secomvc

Fonte: Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF)

Acesse o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF)>>


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