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1,8% dos alunos com alto desempenho

PISA 2025: Brasil fica abaixo da média da OCDE e segue distante dos países ricos

País registra 409 pontos em Ciências, 408 em Leitura e apenas 377 em Matemática no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes

9/09/2026 - 14:19 Por Wilson Lopes

O Brasil manteve praticamente estável seu desempenho educacional desde 2015, mas continua distante das médias internacionais e apresenta uma elevada concentração de estudantes com baixo domínio de Ciências, Leitura e Matemática, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA 2025), divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O país marcou 409 pontos em Ciências, 408 em Leitura, 377 em Matemática e 406 em resolução de problemas computacionais, enquanto as médias da OCDE foram de 482, 461, 463 e 500 pontos, respectivamente. 

A maior distância aparece em Matemática, área em que o Brasil ficou 86 pontos abaixo da média da OCDE. Em resolução de problemas computacionais, a diferença chegou a 94 pontos. A comparação é relevante porque o PISA 2025 incorporou pela primeira vez a avaliação da capacidade dos estudantes de utilizar ferramentas digitais para solucionar problemas, construir e corrigir soluções e trabalhar com processos computacionais.

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Apesar das pontuações baixas, o Brasil apresenta uma característica diferente da tendência observada entre países da OCDE: não houve queda significativa nas três áreas tradicionais desde 2015. A evolução brasileira no período foi positiva em Ciências, com sete pontos de avanço; permaneceu estável em Leitura e recuou dois pontos em Matemática. No mesmo intervalo, a média da OCDE caiu sete pontos em Ciências, 28 em Leitura e 22 em Matemática.

A estabilidade, entretanto, ocorreu em um nível de proficiência considerado baixo. 43,8% dos estudantes brasileiros estão abaixo do nível 2 nas três áreas avaliadas, enquanto somente 1,8% aparecem entre os estudantes de alto desempenho, nos níveis 5 ou 6 de pelo menos uma das áreas. O nível 2 representa o patamar básico de proficiência: em Ciências, por exemplo, significa conseguir utilizar conhecimentos científicos para explicar fenômenos familiares e interpretar dados simples.

Desigualdade econômica agrava distanciamento social

A desigualdade econômica é outro ponto central do diagnóstico. No Brasil, as condições econômicas, sociais e culturais dos estudantes explicam 15,9% da variação do desempenho em Ciências, contra 11,6% na média da OCDE. A diferença entre estudantes dos grupos socioeconômicos mais favorecidos e mais desfavorecidos chegou a 96 pontos em Ciências. Apenas 9,6% dos estudantes desfavorecidos foram considerados academicamente resilientes, aqueles que, apesar da condição socioeconômica, alcançam o grupo de melhor desempenho dentro do próprio país. 

A distância social também aumentou no período mais recente. Entre 2022 e 2025, os estudantes brasileiros desfavorecidos avançaram sete pontos em Ciências, enquanto os favorecidos avançaram 12. Com isso, a diferença entre os dois grupos aumentou cinco pontos. Em Matemática, o Brasil está entre os países em que a desigualdade socioeconômica aumentou entre as duas edições do exame.  

Os dados sobre tecnologia acrescentam outro elemento ao diagnóstico. O Brasil obteve 406 pontos em resolução de problemas computacionais, contra 500 da média da OCDE. O resultado indica uma dificuldade não apenas no domínio de conteúdos tradicionais, mas também na utilização de ferramentas digitais para analisar situações, testar soluções e resolver problemas. 

Em contrapartida, os indicadores sobre a relação dos jovens com a escola apresentam sinais positivos. Em 2025, apenas 16% dos estudantes brasileiros disseram considerar a escola uma perda de tempo, contra 24% na OCDE. O percentual caiu 6,9 pontos em relação a 2022. Além disso, estudantes que valorizam a educação obtiveram, em média, 35 pontos a mais em Ciências do que aqueles que não demonstram essa percepção. 

O uso de celulares também mudou rapidamente nas escolas brasileiras. 81% dos estudantes estavam matriculados em escolas com restrições ao uso dos aparelhos em 2025, mais que o dobro dos 37% registrados em 2022 e acima da média de 49% da OCDE. O relatório, porém, alerta que os dados não permitem concluir que a proibição de celulares, isoladamente, provoque melhora ou piora no desempenho escolar.

No cenário internacional, o Brasil está distante dos sistemas líderes

Brasil está distante dos líderes

No cenário internacional, o Brasil está distante dos sistemas líderes. O conjunto formado por Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, na China, alcançou 597 pontos em Ciências e 612 em Matemática, enquanto Singapura marcou 560 e 563, respectivamente. Japão, Estônia, Coreia, Macau, Taiwan e Reino Unido também ficaram entre os dez melhores nos três componentes principais. 

No PISA 2025, a OCDE não estabelece um ranking geral único: os países e economias são ordenados separadamente por área. Como referência, menos de 2% dos estudantes dos países da OCDE ultrapassam 700 pontos, e apenas uma pequena parcela chega a mais de 800 pontos. O resultado brasileiro ficou abaixo das médias da OCDE nas quatro áreas e mostra que, apesar de uma melhora em Ciências em relação a 2022, o país permanece na metade inferior da classificação internacional. O Brasil teve as seguintes colocações internacionais:

  • Leitura: 52º lugar, com 408 pontos;
  • Ciências: 67º lugar, com 409 pontos;
  • Matemática: 71º lugar, com 377 pontos;
  • Resolução de problemas computacionais: 69º lugar, com 406 pontos.

O PISA 2025 reuniu mais de 760 mil estudantes, representando cerca de 33 milhões de jovens de 15 anos em 91 países e economias. O exame mostra que a dificuldade não é exclusivamente brasileira: a própria OCDE registrou em 2025 suas menores médias históricas em Ciências, Leitura e Matemática. Ainda assim, a combinação de baixo desempenho, forte desigualdade socioeconômica e dificuldades em Matemática e competências digitais mantém o Brasil distante dos sistemas educacionais de maior desempenho.

O PISA é uma avaliação da OCDE que, a cada três anos, mede o nível de conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos em diferentes sistemas educacionais. Em 2025, o exame avaliou Ciências, Leitura, Matemática e resolução de problemas computacionais, permitindo comparar o desempenho entre países e economias. Além das notas, o PISA analisa fatores como condição socioeconômica, motivação, ambiente escolar, uso de tecnologia e desigualdades educacionais, oferecendo um diagnóstico para orientar políticas públicas.

A OCDE é uma organização internacional que reúne países e economias para promover políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, social e educacional. Criada em 1961, a OCDE produz estudos, indicadores e avaliações comparativas que ajudam governos a identificar desafios, compartilhar experiências e aprimorar políticas públicas. Na educação, é responsável pelo PISA, avaliação internacional que compara o desempenho de estudantes de 15 anos em diferentes sistemas educacionais. A OCDE reúne atualmente 38 países-membros, principalmente economias desenvolvidas da Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico. O Brasil participa da organização como candidato à adesão.

Com informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
@inep_oficial @mineducacao @govbr @ocde

Acesse os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA 2025)

Acesse a apresentação dos resultados PISA 2025

Acesse os resultados mundiais do PISA 2025

 

 


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