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O dia depois de amanhã

Ataque dos EUA não impõe democracia à Venezuela

6/01/2026 - 11:45 Por Wilson Lopes

Incertezas, dúvidas e muita desinformação sobreviveram ao cinematográfico ataque militar norte-americano para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores (03/01/2026).

Presos e levados para os Estados Unidos da América (EUA), os dois estão detidos num presídio federal, o Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York.

O Departamento de Justiça norte-americano acusou Maduro e Cilia, durante o primeiro mandato de Trump, em 2020, pelos crimes de Conspiração para o narcoterrorismo; Conspiração para o tráfico de cocaína; Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; e Conspiração para posse de metralhadoras para uso pelo narcotráfico.

Na audiência em que ouviu formalmente por que está sendo julgado (05/01), Maduro alegou ser um “prisioneiro de guerra” do governo Trump. Uma nova audiência foi marcada para 17 de março, onde Maduro e sua esposa prestarão depoimentos.

Além de Maduro e Cilia, o filho do presidente venezuelano e outras três pessoas também são acusados dos mesmos crimes. Estes quatro não foram capturados pela ação militar dos Estados Unidos na Venezuela.

O regime corrupto venezuelano, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Wikipedia)

Eleição contestada

Em julho de 2025, o esquerdista Nicolás Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela) foi reeleito para mais um mandato de 6 anos, o terceiro consecutivo. Sucessor do ex-presidente Hugo Chávez (que governou de 1999 a 2013), ele estava no poder desde 2013. 

Contudo, a campanha eleitoral de Maduro foi marcada por polêmicas, como impedir duas candidatas da Plataforma Unitária Democrática (Corina Machado e Corina Yoris) de concorrer à eleição. 

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo governo, divulgou o resultado das eleições, com Maduro obtendo 51,2% dos votos, contra 44,2% do opositor de centro-direita Edmundo González Urrutia (Plataforma Unitária Democrática). No entanto, as atas eleitorais não foram apresentadas.

A oposição contestou o resultado, alegando a vitória de González Urrutia com 67% dos votos, contra 30% de Maduro (o que equivale a 7.173.152 votos contra 3.316.142).

Governo não reconhecido

Em meio à polêmica, 18 países não reconheceram a vitória de Nicolás Maduro e não o consideram chefe de estado. A lista é encabeçada pelos Estados Unidos, Itália, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Em contrapartida, Rússia, Irã, Cuba e China reconheceram a eleição. Em cima do muro, evitando tomar uma decisão, está o bloco que tem o Brasil, Alemanha, Colômbia, Espanha, França, México, Portugal e Reino Unido, que ainda aguardam as atas eleitorais para firmar posição. 

Carta das Nações Unidas

Em comunicado conjunto (4/01), Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai condenaram o ataque militar contra a Venezuela. Os governos citam a gravidade das ações e reafirmam sua adesão aos princípios previstos na Carta das Nações Unidas, documento que representa as aspirações e conquistas da humanidade em direção à paz, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, à igualdade jurídica dos Estados e à proibição do uso da força.

Conforme o comunicado, os seis países avaliam que as ações constituem precedente “extremamente perigoso” para a paz e a segurança regional e colocam em risco a população civil.

“Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana”, completa o comunicado conjunto... Manifestamos nossa preocupação a qualquer tentativa de controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, que seja incompatível com o direito internacional e que ameace a estabilidade política, econômica e social da região”, concluiu o documento.

Celac sem acordo

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participou (4/01) de reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) convocada para discutir a situação na Venezuela. 

A reunião terminou sem acordo entre os países. Como as deliberações são tomadas por consenso, não havia expectativa de uma nota conjunta após o encontro.

A Celac é um mecanismo intergovernamental de diálogo e acordo político que inclui permanentemente 32 países da América Latina e do Caribe. Funciona ainda como um fórum regional e aspira ser uma voz singular e estruturada na tomada de decisões políticas e na cooperação em apoio aos programas de integração regional.

Reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela (Loey Felipe/ONU)

Brasil condenou, Argentina apoiou 

O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) se reuniu em sessão de emergência em Nova York (05/01), a pedido da Colômbia e Venezuela, com apoio da China e Rússia, para tratar da extradição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, de Caracas, pelos Estados Unidos. 

Ao todo, 29 países participaram, sendo 15 membros do conselho, entre permanentes e rotativos. Outros 14 estiveram presentes, incluindo o Brasil.

Ao final da reunião, Brasil e outros 21 países condenaram o ataque americano à Venezuela. A Argentina e Trinidad e Tobago defenderam a operação dos Estados Unidos, que disseram que aplicaram a lei.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse aos embaixadores que deve haver respeito à soberania nacional, à “independência política e à integridade territorial”, após ter alertado que os EUA haviam criado um “precedente perigoso” para a ordem mundial. 

O embaixador e representante do Brasil na ONU, Sérgio França Danese, afirmou que o país rejeita veementemente a intervenção armada na Venezuela, classificando-a como “uma violação flagrante da Carta da ONU e do direito internacional.”

Para Danese, “a América do Sul é uma zona de paz e os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”. Segundo o embaixador, “as normas internacionais não admitem exceções baseadas em interesses ou ideologia.”

A força não faz o direito

Em resposta à crise, a presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, afirmou que o ‘quadro orientador’ para os próximos dias deve ser a Carta da ONU, que não é um ‘documento opcional’.

Ela afirmou que o Artigo 2 estipula claramente que todos os Estados-Membros, incluindo os EUA, devem abster-se da ‘ameaça ou uso da força’ contra o território ou a independência política de qualquer outra nação.

“Um mundo pacífico, seguro e justo para todos só é possível se o Estado de Direito prevalecer em vez da lei do mais forte”, alertou. 

Ataque ilegal e imprudente

Um dos principais jornais dos Estados Unidos, o New York Times (NYT), publicou (3/01) editorial criticando as ações do governo de Donald Trump e chamando de ilegal o ataque à Venezuela. Para o jornal, o país sul-americano foi o primeiro alvo da nova doutrina de segurança da Casa Branca para a América Latina.

“Aparentemente, a Venezuela tornou-se o primeiro país sujeito a esse imperialismo moderno, o que representa uma abordagem perigosa e ilegal para o papel dos EUA no mundo”, diz o texto assinado pelo Conselho Editorial do jornal nova-iorquino.

Em entrevista coletiva, Trump disse que vai governar a Venezuela até uma “transição segura” de governo, além de admitir que as petroleiras dos EUA vão explorar os recursos energéticos da Venezuela. 

O NYT rejeitou o argumento do presidente norte-americano de que Maduro seria líder de um cartel de drogas. “A alegação é particularmente ridícula neste caso, visto que a Venezuela não é uma produtora significativa de fentanil ou das outras drogas”, disse o periódico.

O editorial do NYT afirma ainda que a ação de Trump, “sem qualquer aparência de legitimidade internacional”, arrisca fornecer justificativa para outros governos, como China e Rússia, dominarem “seus próprios vizinhos”.

O NYT lembrou que o país passou 20 anos sem conseguir estabelecer um governo estável no Afeganistão e que, ao derrubar o governo de Muamar Kadafi, na Líbia, criou um Estado fragmentado no norte da África. Ainda segundo o jornal, é grande o potencial para o caos na Venezuela.

“Apesar da captura de Maduro, os generais que apoiaram seu regime não desaparecerão repentinamente. Tememos que o resultado do aventureirismo do Sr. Trump seja o aumento do sofrimento dos venezuelanos, o crescimento da instabilidade regional e danos duradouros aos interesses dos Estados Unidos em todo o mundo”, finaliza o jornal.

A presidente interina Delcy Rodríguez Gómez comanda a primeira reunião do Conselho de Ministros (Prensa Presidencial)

Forças Armadas reconhecem vice como presidente

O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em espanhol) decidiu que a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, 56 anos, assumirá provisoriamente a presidência do país por um período de 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias. 

As Forças Armadas venezuelanas também reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a libertação do presidente Nicolas Maduro.

Também tomaram posse (05/01) 283 parlamentares eleitos no ano passado, sendo apenas 14 de oposição ao regime. A posse oficial de Delcy foi concedida por seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Os dois são reconhecidos por fortes ligações e devoção ao chavismo. O pai de ambos foi um líder revolucionário torturado e morto pelo governo venezuelano nos anos 1970, na época apoiado pelos EUA.

Oposição reivindica o poder

Após a prisão de Maduro, a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, defendeu que Edmundo González (candidato da oposição nas eleições de 2024) seja imediatamente proclamado presidente da Venezuela, com base nas atas eleitorais que a oposição afirma comprovar sua vitória. 

O próprio González, que está exilado na Espanha, convocou os militares a reconhecê-lo como presidente eleito. Questionado se María Corina Machado ou Edmundo González seriam colocados no poder pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump divagou:

“Ainda estou decidindo sobre o futuro da Venezuela.”

A situação gerou um cenário de incertezas e disputa pelo poder, com a oposição realizando protestos e a comunidade internacional sendo levada a reconhecer a vitória de González. 

Analistas apontam para impasses jurídicos e o risco de conflitos, ao mesmo tempo em que enxergam a presidente interina Delcy Rodríguez como uma continuidade do chavismo e um governo “ilegítimo que carece da chancela popular.” 

A situação atual difere de 2019, quando Juan Guaidó, após perder a eleição para Maduro, se autoproclamou presidente interino com amplo apoio internacional, mas sem conseguir efetivamente assumir o controle do governo.

Interesse dos EUA em petróleo

O governo da Venezuela repudiou e denunciou, perante a comunidade internacional, a “gravíssima agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos” contra o território e a população venezuelanos. O país afirma que essa é uma tentativa de impor uma guerra colonial e o objetivo é se apoderar do petróleo e minerais venezuelanos.

Segundo as autoridades do país, foram atingidas localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A diplomacia venezuelana, diz o texto, apresentará as denúncias ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e ao Movimento dos Países não Alinhados (MNOAL), exigindo a condenação e a prestação de contas do governo dos Estados Unidos.

A Venezuela informou ainda que, em conformidade com o Artigo 51 da Carta das Nações Unidas, se reserva o direito de exercer a legítima defesa para proteger seu povo, seu território e sua independência.

De acordo com o governo, o objetivo deste ataque é apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar com o uso da força a independência política da nação. 

A Venezuela continua detentora do maior volume de reservas petrolíferas, com 303 bilhões de barris, o que equivale a 16,9% do total mundial (Poço de petróleo em Zulia – Rjcastillo – Wikipedia) 

Maior reserva de petróleo do mundo

Segundo o anuário estatístico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as reservas provadas de petróleo no mundo atingiram a marca de 1,8 trilhão de barris em 2023.

As reservas dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) totalizaram 1,2 trilhão de barris (69,5% do total mundial). Os países que não fazem parte da Opep somaram 547,6 bilhões de barris. 

O volume de reservas do Oriente Médio, região que concentra a maior parte das reservas mundiais, atingiu 873,6 bilhões de barris (48,7% do total mundial), seguida pelas reservas das Américas Central e do Sul, somando 333,1 bilhões de barris (18,6% do total mundial). Já na América do Norte, as reservas totalizaram 263,5 bilhões de barris (14,7% do total mundial). 

Dentre os países, a Venezuela continua detentora do maior volume de reservas petrolíferas, com 303 bilhões de barris (16,9% do total mundial). As reservas sauditas mantiveram-se estáveis, totalizando 267,2 bilhões de barris (14,9% do total mundial), o que manteve a Arábia Saudita na segunda posição do ranking mundial de reservas provadas de petróleo. O Brasil ocupa a 15ª posição no ranking mundial de reservas provadas de petróleo, com um volume de 15,9 bilhões de barris.

As reservas provadas dependem de análise geológica e estimativa comercial de desenvolvimento de reservatórios, com grau elevado de certeza. As características técnicas e econômicas são levadas em consideração para o cômputo desses valores.

Com relação ao mercado, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), os preços do petróleo bruto caíram em 2025, com a oferta no mercado global superando a demanda. “O aumento dos estoques de petróleo bruto na China atenuou parte da queda nos preços. Eventos como os ataques de Israel ao Irã e os ataques entre a Rússia e a Ucrânia contra infraestrutura petrolífera sustentaram os preços periodicamente”, aponta.

Produção de petróleo incipiente

Detentora do maior volume de reservas petrolíferas, a Venezuela patina na produção. Conforme o site tradingeconomics.com, o país ocupa o 17º lugar no ranking mundial, com produção de 1,1 milhão de barris/dia (1,3% do total mundial).

Os Estados Unidos permaneceram sendo o maior produtor mundial de petróleo, com volume médio de 19,4 milhões de barris/dia (20,1% do total mundial). A Arábia Saudita ocupa o segundo lugar no ranking, com produção média de 11,4 milhões de barris/dia (11,8%). Em seguida, vieram Rússia (11,4%), Canadá (5,9%) e Irã (4,8%). 

O Brasil está na 9ª posição, com 3,5 milhões de barris/dia (3,6% do total mundial). 

Indígenas venezuelanos da etnia Warao em abrigo da Operação Acolhida, em Boa Vista, Roraima (Rovena Rosa/ABr)

Maior população estrangeira no Brasil

O ‘Relatório Situacional Brasil: Tráfico de Pessoas em Fluxos Migratórios Mistos em Especial de Venezuelanos’ do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) registrava cerca de 262,5 mil migrantes e refugiados da Venezuela vivendo no Brasil em 2020, a quinta maior nação anfitriã destes cidadãos na América Latina.

Conforme o UNODC, entre janeiro de 2017 e agosto de 2020, o Brasil acolheu 609.049 venezuelanos e viu partir 345.574 depois do fluxo disparar 922% no biênio anterior. O Escritório aponta que 42.496 venezuelanos foram beneficiados com o programa federal de interiorização. Os municípios que mais receberam esses migrantes foram Manaus (AM), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Dourados (MS) e Porto Alegre (RS), de um total de 608 municípios espalhados por todo o Brasil. 

Já o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2022) registra que os venezuelanos formam o maior grupo estrangeiro no Brasil, com 271,5 mil pessoas. Segundo o Censo, em 2010, os imigrantes da Venezuela somavam apenas 2,9 mil, ou seja, uma população quase 100 vezes menor do que a atual. 

Para o IBGE, o principal fluxo migratório da Venezuela ocorreu entre 2017 e 2022, com a chegada de 199,1 mil pessoas provenientes daquele país. De 2005 a 2010, apenas 1,9 mil pessoas haviam trocado a Venezuela pelo Brasil.

Balneario Playa Parguito, na ilha de Margarita, no mar do Caribe (Edwin Rafael Rodríguez/Wikipedia) 

Mar do Caribe e corrupção 

A República Bolivariana da Venezuela é um país da América localizado na parte norte da América do Sul, constituído por uma parte continental e inúmeras pequenas ilhas no Mar do Caribe. Tem uma população de 28.067.000 de habitantes (2018) e sua capital e maior aglomeração urbana é a cidade de Caracas (2.245.744 hab.). 

Suas fronteiras são delimitadas com o Mar do Caribe, Colômbia, Brasil e com a Guiana, com quem mantém disputas territoriais pela região de Essequibo (quase 60% do território da Guiana é reivindicado pela Venezuela como sendo parte de seu território subtraído no século XIX pela Inglaterra, então potência colonial que administrava a antiga Guiana Britânica).

O Índice de Percepção da Corrupção classificou o país como um dos mais corruptos desde que a pesquisa começou em 1995. O ranking de 2016 colocou a Venezuela na posição 166 de 178. O World Justice Project classificou a Venezuela em último lugar entre os 99 países inquiridos no seu Índice do Estado de Direito de 2014.

Com informações de Paula Laboissière, Lucas Pordeus León, Camila Boehm e Vitor Abdala, Agência Brasil.
@alcaldiadeccs @ibpbr

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Acesse o Relatório Situacional Brasil: Tráfico de Pessoas em Fluxos Migratórios Mistos em Especial de Venezuelanos>>

Acesse o anuário estatístico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)>>

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Acesse a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA)>>

 


 


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