A Transparência Internacional (TI), organização global da sociedade civil fundada em 1993, com sede em Berlim, na Alemanha, dedicada a combater a corrupção e promover a transparência, integridade e responsabilização no setor público e privado, atua em mais de 100 países e tem como uma de suas principais publicações o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado desde 1995.
O IPC é um levantamento construído a partir de 13 fontes independentes, produzidas por organismos multilaterais, centros de pesquisa, consultorias especializadas e organizações internacionais, que avaliam percepções de especialistas e executivos sobre corrupção no setor público.
Para permitir a comparação entre países, os dados dessas fontes são padronizados estatisticamente e convertidos para uma escala de 0 a 100, em que 0 indica pior percepção de corrupção e 100 indica melhor percepção de integridade pública. A pontuação final de cada país corresponde à média padronizada das fontes disponíveis. O IPC não utiliza pesquisas de opinião com a população em geral, não mede corrupção real e não se baseia em casos individuais ou eventos isolados.
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Na edição de 2025, o IPC avaliou 182 países e territórios. Segundo o relatório, a média global do índice caiu pela primeira vez em mais de uma década, alcançando apenas 42 pontos.
A maioria dos países não conseguiu controlar o avanço da corrupção: de um total de 180 avaliações, 122 alcançaram menos de 50 pontos no índice. Paralelamente, o número de países que lograram uma pontuação acima de 80 diminuiu, caindo de 12 para cinco em apenas uma década.
“Os estudos demonstram que a corrupção não é inevitável. Países cujas pontuações no IPC subiram ao longo dos anos contaram, em larga medida, com esforços contínuos, por parte de líderes políticos e agências reguladoras, para implementar amplas reformas institucionais e jurídicas. Pontuações consistentemente baixas ou em queda normalmente refletem contextos de limitação ou corrosão do sistema de freios e contrapesos, politização do sistema de justiça, influência indevida no processo político, e falta de proteção ao espaço cívico”, aponta o relatório.
A TI ressalta que não surpreende o fato de que países com democracias plenas tendem a obter pontuações altas no IPC, ao passo que regimes não democráticos têm os piores desempenhos.
“Na maioria das autocracias absolutas, como Venezuela (10) e Azerbaijão (30), a corrupção é sistêmica e se manifesta em todos os níveis. Dentre os países cuja pontuação no IPC diminuiu substancialmente desde 2012, quase dois terços passaram por um alarmante viés crescente de restrição das liberdades de expressão, associação e reunião”.
Conforme o relatório, ao longo de 2025, o Brasil viveu uma série de episódios que impactaram o debate público sobre corrupção, integridade e transparência nas instituições (Freepik)Brasil atolou no brejo da corrupção
No Índice de Percepção da Corrupção 2025, o Brasil obteve 35 pontos, ocupando a 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados.
O resultado mantém o país em um patamar historicamente baixo, reforçando uma trajetória marcada por fragilidade institucional, baixa efetividade dos mecanismos de integridade e dificuldades persistentes de controle da corrupção no setor público.
Em comparação com a média global, o Brasil permanece abaixo do desempenho médio. Entre os países com nível de renda semelhante, o desempenho brasileiro é inferior. E, na sua própria série histórica, o país não apresenta recuperação consistente desde os piores resultados registrados na última década.
Série histórica
- 2012 - 43 pontos
- 2013 - 42 pontos
- 2014 - 43 pontos
- 2015 - 38 pontos
- 2016 - 40 pontos
- 2017 - 37 pontos
- 2018 - 35 pontos
- 2019 - 35 pontos
- 2020 - 38 pontos
- 2021 - 38 pontos
- 2022 - 38 pontos
- 2023 - 36 pontos
- 2024 - 34 pontos
- 2025 - 35 pontos
Recomendações construtivas
Paralelamente ao Índice de Percepção da Corrupção (IPC), a Transparência Internacional – Brasil publicou a ‘Retrospectiva Brasil 2025’, um relatório qualitativo, produzido com o objetivo de registrar, analisar e contextualizar os fatos mais relevantes relacionados à temática da corrupção ocorridos no país ao longo do ano.
Segundo os autores, a finalidade é contribuir para o debate público, recuperar acontecimentos marcantes — positivos e negativos — e oferecer análise técnica e recomendações construtivas para o aprimoramento das instituições, leis e práticas brasileiras.
Com 130 páginas, o relatório destaca ações positivas, negativas e traz recomendações aos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), apontando fatos como o aliciamento do Estado brasileiro pelo crime organizado (operações Carbono Oculto e Compliance Zero), o caso Banco Master, o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
Também ressalta a relevância das manifestações populares que levaram à derrota da PEC da Blindagem no Senado Federal e à iniciativa da proposição de um Código de Ética do Supremo Tribunal Federal (STF).
O que aconteceu no Brasil em 2025
Conforme o relatório, ao longo de 2025, o Brasil viveu uma série de episódios que impactaram o debate público sobre corrupção, integridade e transparência nas instituições.
“O relatório registra um cenário especialmente crítico, marcado pela intensificação da atuação do crime organizado, pelo avanço de esquemas de macrocorrupção e por disputas institucionais que colocaram à prova os mecanismos de controle, transparência e responsabilização no Brasil. Ao mesmo tempo, o documento identifica reações relevantes do Estado, investigações inéditas e decisões que apontam tanto para avanços quanto para riscos de retrocesso.”
Poder Executivo
No Poder Executivo, o relatório examina temas como os desdobramentos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, falhas de transparência em grandes programas de investimento — como o Novo PAC —, escândalos envolvendo políticas públicas sensíveis e investigações de grande impacto, como a Operação Carbono Oculto, que expôs esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro associados ao crime organizado.
Poder Judiciário
No Poder Judiciário, a Retrospectiva analisa decisões do Supremo Tribunal Federal, conflitos de interesse, privilégios institucionais, desigualdades estruturais e casos graves de corrupção, incluindo esquemas de venda de sentenças, além dos desafios à accountability no sistema de Justiça.
Poder Legislativo
Já no Poder Legislativo, o relatório aborda temas como os novos capítulos do chamado “orçamento secreto”, propostas de blindagem política, mudanças no foro privilegiado, ataques a marcos legais anticorrupção, a agenda ambiental no Congresso e a atuação do crime organizado no espaço institucional.
“Ao oferecer uma leitura crítica, abrangente e fundamentada, o relatório se consolida como um instrumento de referência para jornalistas, pesquisadores, tomadores de decisão, organizações da sociedade civil e cidadãos interessados em compreender como a corrupção continua a moldar — e a desafiar — as instituições brasileiras”, concluem os autores Amanda Faria Lima, André Duffles, Bruno Brandão, Guilherme France, Johanna Nublat, Renato Morgado, sob o coordenação de Bruno Brandão e Guilherme France.
Com informações da Transparência Internacional (TI).
@transparency_international @transparenciainternacionalbr
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