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25 mortes em 2026

Apenas 5% das crianças completaram vacinação contra covid-19

Estudo da USP, com dados de 24 cidades brasileiras, identificou redução de 97% nos casos graves da doença associada à vacinação infantil

26/10/2026 - 09:46 Por Wilson Lopes

Apenas 5% das crianças pequenas no Brasil completaram o esquema de três doses da vacina contra a covid-19, enquanto a doença provocou 25 mortes de crianças e adolescentes e mais de 1,1 mil internações de menores de 14 anos por quadros respiratórios graves em 2026. 

Os dados foram divulgados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, em reportagem publicada pela Agência Brasil (23/10).

A baixa cobertura ocorre apesar da disponibilidade de doses e das evidências de proteção dos imunizantes contra as formas graves da doença.

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de vacinação infantil, com doses previstas aos 6, 7 e 9 meses de idade. O esquema pode ser atualizado até os 4 anos, 11 meses e 29 dias, conforme as orientações do Ministério da Saúde. Entre as 25 mortes registradas em 2026, 15 foram de crianças menores de 2 anos, faixa etária particularmente vulnerável às complicações de infecções respiratórias.

O diretor do PNI, Eder Gatti, atribui a baixa adesão, em parte, à desinformação sobre vacinas, disseminada durante a pandemia. Segundo ele, o país mantém estoques e contratos para assegurar o abastecimento dos imunizantes.

A dificuldade, portanto, não se limita à oferta de doses: envolve também a decisão das famílias de procurar os serviços de saúde e completar o esquema recomendado.

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Estudo aponta redução de 97% nos casos graves

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), baseada em dados de 24 cidades brasileiras, identificou redução de 97% nos casos graves de covid-19 em crianças associada à vacinação. O resultado reforça a importância da imunização, embora a matéria não apresente detalhes suficientes sobre o desenho do estudo, o período analisado e os intervalos de confiança para avaliar integralmente a magnitude do efeito.

Durante os principais anos da pandemia, entre 2020 e 2022, mais de 23 mil crianças de até 11 anos desenvolveram Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à covid-19, e 1.067 morreram. Outra complicação é a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, reação inflamatória que pode afetar diferentes órgãos. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 2.115 casos dessa síndrome em crianças e adolescentes, com 142 mortes.

Os dados históricos mostram que a covid-19 não representa apenas um risco para adultos e idosos. Embora a gravidade varie conforme a idade e as condições individuais de saúde, crianças também podem desenvolver complicações e necessitar de hospitalização.

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de vacinação infantil, com doses previstas aos 6, 7 e 9 meses de idade (Prefeitura Fortaleza/CE)

Medo de reações e desconfiança estão entre os motivos

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2023, identificou que 15% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos não haviam recebido a vacina contra a covid-19. Entre os responsáveis que justificaram a decisão, quase 40% citaram medo de reações adversas ou de injeções, 22% consideraram a vacinação desnecessária e 18% disseram não confiar no imunizante.

Esses percentuais ajudam a dimensionar as barreiras à vacinação, mas exigem uma distinção: os dados se referem a uma pesquisa realizada em 2023 e a uma faixa etária específica. Portanto, não devem ser apresentados como retrato automático dos motivos de todos os responsáveis que deixam de vacinar crianças em 2026.

O Ministério da Saúde afirma que as vacinas passam por etapas de avaliação antes da autorização e continuam sob monitoramento após sua aplicação. De acordo com a reportagem, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças durante a pandemia sem registro de óbito atribuído à vacinação. Entre as reações notificadas, 92% foram consideradas leves e esperadas, como febre e dor no local da aplicação.

A ausência de óbitos registrados como atribuídos à vacina não significa que nenhum evento adverso possa ocorrer. O dado deve ser interpretado no contexto da vigilância de segurança, que investiga suspeitas e avalia a relação entre a aplicação e os eventos relatados.

Estoques, desperdício e desafios do programa

A baixa procura também traz consequências operacionais para o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o diretor do PNI, os frascos do imunizante infantil precisam ser mantidos congelados e, após descongelados, têm prazo de validade de dez semanas. Se as doses não forem utilizadas nesse intervalo, precisam ser descartadas.

Esse mecanismo torna o planejamento da vacinação especialmente importante: os municípios precisam organizar a procura, a distribuição e a aplicação para reduzir perdas e ampliar o acesso. A reportagem, porém, não apresenta um balanço nacional consolidado do volume de doses descartadas por baixa demanda.

O PNI também registrou avanços em outras vacinas infantis. Em 2022, 12 das 16 vacinas oferecidas no primeiro ano de vida apresentavam cobertura inferior a 80%. Em 2025, sete imunizantes superaram 90% de cobertura, conforme os dados apresentados na reportagem. O resultado indica que a recuperação da vacinação infantil não ocorre de maneira uniforme entre os diferentes imunizantes.

Para ampliar a proteção contra a covid-19, o desafio é combinar disponibilidade de doses, informação confiável, orientação dos profissionais de saúde e acesso aos serviços de vacinação. A recomendação é que os responsáveis consultem a caderneta da criança e procurem uma unidade de saúde para verificar se o esquema está atualizado.

Com informações do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde.
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Acesse a pesquisa ‘Effectiveness of COVID-19 vaccination schedules against severe COVID-19 in children aged 6 months to 4 years in Brazil: A population-based cohort study (2023–2024)’

 

 


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