quinta, 13 de agosto de 2026
Logo Agência Cidades
quinta, 13 de agosto de 2026
Qui, 13 de Agosto
(62) 99183-3766
Made in Brazil

Apesar dos EUA, Brasil amplia mercados e bate recordes nas exportações

Diversificação comercial adicionou US$ 19,3 bilhões às vendas externas brasileiras, com a China, Europa e a indústria extrativa puxando o avanço e sustentando o superávit

13/08/2026 - 09:47 Por Wilson Lopes

O Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com um novo recorde histórico nas exportações e uma mudança importante no mapa de seus principais mercados. Entre janeiro e junho, o país vendeu US$ 184,8 bilhões ao exterior, superando em cerca de US$ 17,9 bilhões o resultado do primeiro semestre de 2024, até então o melhor da série, de US$ 166,9 bilhões.

O desempenho ocorre em um cenário de forte diversificação dos destinos das mercadorias brasileiras. Enquanto as exportações para os Estados Unidos recuaram aproximadamente US$ 2,6 bilhões na comparação com o primeiro semestre de 2025, as vendas para 17 outros mercados selecionados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pela ApexBrasil cresceram, juntas, US$ 19,3 bilhões — um avanço quase 7,5 vezes maior que a perda registrada no mercado norte-americano.

A China foi o principal destaque dessa transformação. No primeiro semestre, o país asiático comprou cerca de US$ 58,2 bilhões em produtos brasileiros. No acumulado até julho, as exportações brasileiras para a China já alcançavam US$ 69,03 bilhões, crescimento de 19,7% em relação ao mesmo período de 2025. A corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 113,99 bilhões, alta de 14,8%.

A União Europeia também ganhou peso. As exportações brasileiras para o bloco cresceram 11% entre janeiro e julho, atingindo US$ 31,59 bilhões. A corrente comercial avançou 5,8%, para US$ 60,86 bilhões. O resultado reforça a importância do mercado europeu para a estratégia brasileira de diversificação.

>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook

Indústria extrativa lidera crescimento

A expansão não ficou restrita ao agronegócio. No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras cresceram 10,5%, alcançando US$ 218,55 bilhões.

Entre os grandes setores, a indústria extrativa apresentou o maior crescimento, de 21,3%, com US$ 54,35 bilhões exportados. A agropecuária avançou 9,2%, para US$ 50,48 bilhões, enquanto a indústria de transformação cresceu 6,3%, atingindo US$ 112,50 bilhões.

O resultado mostra que a pauta exportadora brasileira continua fortemente apoiada em commodities, mas também evidencia a participação relevante da indústria de transformação, responsável por mais da metade do valor exportado nos sete primeiros meses do ano.

Julho mantém trajetória positiva

O desempenho de julho confirmou a força do comércio exterior brasileiro. As exportações somaram US$ 34,12 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 27,05 bilhões, produzindo um superávit de US$ 7,07 bilhões no mês. A corrente de comércio alcançou US$ 61,17 bilhões.

Na comparação com julho de 2025, as exportações cresceram 6,2%. A indústria extrativa avançou 10,8%, a agropecuária cresceu 9,3% e a indústria de transformação registrou alta de 2,4%.

O desempenho dos parceiros comerciais também evidencia a mudança na composição das vendas externas. Em julho, as exportações para a China cresceram 8,6%, alcançando US$ 10,67 bilhões, enquanto as vendas para a União Europeia aumentaram 3,9%, para US$ 4,78 bilhões. Para os Estados Unidos, houve retração de 5%, para US$ 3,64 bilhões.

Superávit chega a US$ 49 bilhões

Com o resultado de julho, o saldo positivo acumulado da balança comercial brasileira chegou a US$ 49,04 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, crescimento de 31,9% sobre igual período do ano anterior.

A China responde sozinha por um superávit de US$ 24,06 bilhões para o Brasil. A União Europeia também apresenta saldo positivo, de US$ 2,31 bilhões, enquanto a Argentina registra superávit brasileiro de US$ 1,22 bilhão. Já a relação comercial com os Estados Unidos apresenta déficit de US$ 2,27 bilhões no acumulado do ano.

O contraste é ainda mais evidente na corrente de comércio. Entre janeiro e julho, o comércio brasileiro com a China cresceu 14,8%, atingindo US$ 113,99 bilhões. Com a União Europeia, avançou 5,8%, para US$ 60,86 bilhões. Em sentido contrário, a corrente comercial com os Estados Unidos caiu 11,3%, para US$ 44,18 bilhões.

Diversificação reduz dependência dos EUA

Os números apontam para uma transformação relevante na geografia do comércio exterior brasileiro. A retração das vendas aos Estados Unidos, associada às tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano, não impediu o crescimento global das exportações.

Levantamento do MDIC e da ApexBrasil mostra que, somente entre 17 destinos, o Brasil acrescentou US$ 19,3 bilhões em exportações no primeiro semestre, compensando com ampla margem a perda de US$ 2,6 bilhões no mercado estadunidense.

China, Europa e Índia aparecem entre os principais motores dessa diversificação. Segundo dados divulgados pela ApexBrasil, no primeiro semestre as vendas brasileiras cresceram cerca de US$ 10,5 bilhões para a China, US$ 3,1 bilhões para a Europa e US$ 2,5 bilhões para a Índia, enquanto a redução para os Estados Unidos ficou em US$ 2,6 bilhões.

A estratégia tende a ganhar força no segundo semestre. A ApexBrasil anunciou um programa de R$ 130 milhões voltado à diversificação das exportações, com participação de 57 setores econômicos. Entre os mercados considerados estratégicos estão a União Europeia, países da Asean — como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã — e economias da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

Um novo mapa para as exportações brasileiras

Os dados do primeiro semestre e de julho indicam que o comércio exterior brasileiro atravessa um momento de expansão simultaneamente marcado por recorde de exportações, crescimento do superávit e diversificação geográfica.

O resultado também reduz a dependência de um único mercado. A China consolidou-se como principal destino das mercadorias brasileiras, enquanto a União Europeia ampliou sua participação e novos mercados asiáticos passaram a contribuir de forma mais expressiva.

O desafio, daqui para frente, será transformar essa expansão em uma estratégia permanente, com maior diversificação de produtos, aumento da participação de bens industrializados e abertura de novos mercados.

Se essa tendência se mantiver, o Brasil poderá terminar 2026 não apenas com uma balança comercial mais robusta, mas com uma pauta exportadora geograficamente mais distribuída e menos vulnerável às decisões comerciais de uma única potência.

Com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da ApexBrasil.
@mdicoficial @apexbrasil

Acesse o Sistema oficial para extração das estatísticas do comércio exterior brasileiro de bens

 


Deixe seu Comentário