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Sustentabilidade

Economia circular é desconhecida por 39% dos brasileiros

Prática é baseada na gestão de recursos, que estimula a reutilização, recuperação e reinserção de produtos no ciclo produtivo, evitando o descarte

8/07/2026 - 09:11 Por Fabíola Sinimbú, Agência Brasil

Quatro em cada dez brasileiros (39%) nunca ouviram falar sobre o conceito de economia circular. Os dados constam de uma pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao QualiBest, e mostram ainda que, embora o tema já tenha chegado a 57% da população, isso ocorreu de forma superficial.

Baseada na gestão de recursos, a economia circular reutiliza, recupera e reinsere recursos no ciclo produtivo. É uma alternativa ao modelo produtivo linear, em que os recursos cumprem uma única etapa de uso e são descartados.

Desse total de 57% que afirmou já ter ouvido falar no conceito, apenas 12% declarou conhecer bem, e outros 45% afirmaram já ter ouvido falar em economia circular, mas não conhecer detalhes.

“Isso é um ponto que ainda precisa ser trabalhado, porque não adianta nada você conhecer se não tem um aprofundamento do tema, e isso que a gente precisa tentar trabalhar”, afirma Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma.

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Para Beatriz, iniciativas para a ampliação do conhecimento sobre temas mais desafiadores, como a economia circular, devem partir de escolas, governos, empresas e organizações sociais, em um esforço focado em crianças e adolescentes.  

“A gente entende que eles são os nossos principais vetores de comunicação com suas famílias, com a comunidade do entorno. Então isso é superimportante para poder fazê-los entender e para levarem esse exemplo para casa.”

A pesquisa ‘Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População’ ouviu 834 pessoas a partir de 18 anos, entre 30 de abril e 08 de maio de 2026. Os dados também foram comparados à primeira edição do estudo, realizada em 2025.

Grande parte dos entrevistados (74%) declarou ter disposição para mudar hábitos de consumo com o objetivo de gerar menos resíduo. Enquanto 3% declarou que talvez mudaria, outros 23% afirmaram não ter disposição para promover essa mudança.

De forma geral, os pesquisados consideraram a reciclagem de produtos uma responsabilidade compartilhada atribuída principalmente à população (78%), governo (63%) e empresas (55%).

Na comparação com a pesquisa de 2025, a responsabilização da população cresceu três pontos percentuais, já a cobrança por atuação do governo e empresas cresceu, respectivamente, quatro e seis pontos percentuais.

As escolas também foram responsabilizadas por 35% dos entrevistados, assim como 30% consideraram a reciclagem responsabilidade de organizações não governamentais (ONGs) e 3% atribuíram a outros setores.

Logística reversa

A logística reversa, prática de devolver ao fabricante um produto após o fim de seu ciclo para reinserção na cadeia produtiva, também foi abordada no estudo. A maioria dos entrevistados, 42%, afirmou já ter devolvido ao menos uma vez algum produto. Desses, 14% afirmaram fazer com frequência.

A pesquisa indicou que 55% das pessoas têm acesso à coleta seletiva em casa ou na rua. E 11% separam os resíduos, mas não levam aos pontos de coleta. Desse grupo, 63% entregam reciclável e orgânico juntos ao caminhão de coleta e 36% entregam o material separado aos catadores.

A confiança da população brasileira sobre a reciclagem dos resíduos separados é alta, demonstra a pesquisa. Mais da metade (54%) declarou acreditar que os resíduos separados são efetivamente reciclados. Apenas 6% não confiam no processo.

Na avaliação da gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, Marlene Treuk, os dados do levantamento mostram, de forma geral, que, embora o conhecimento precise ser aprofundado, já há uma transformação na prática.

“Existe uma percepção clara sobre a importância da reciclagem e uma disposição crescente para adotar comportamentos mais sustentáveis.”

Com informações da Agência Brasil.
@movimentoplasticotransforma @qualibest

Acesse a pesquisa "Reciclagem no Brasil: hábitos, desafios e percepções da população"


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