sexta, 16 de outubro de 2026
Logo Agência Cidades
sexta, 16 de outubro de 2026
Sex, 16 de Outubro
(62) 99183-3766
Saúde pública

Enquanto você lê esta notícia, 3 pessoas morrerão por doenças cardiovasculares no Brasil

Estimativa da Sociedade Brasileira de Cardiologia aponta uma morte por doença cardiovascular a cada 72 segundos, e Alagoas, Amapá e Mato Grosso do Sul apresentam as maiores taxas estaduais

16/10/2026 - 12:00 Por Wilson Lopes

O Brasil poderá registrar 462.573 mortes por doenças cardiovasculares em 2030, caso sejam mantidas as tendências observadas nas últimas duas décadas, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A projeção representa um aumento de 10,8% em relação aos 417.550 óbitos contabilizados em 2024. Em outra frente, o Cardiômetro, ferramenta da entidade, indicava 318.997 mortes acumuladas até as 11h33 de 16 de outubro de 2026.

A estimativa corresponde a uma morte a cada 72 segundos, ritmo equivalente a aproximadamente 50 óbitos por hora. A SBC ressalta, porém, que as projeções dependem da evolução dos fatores de risco, do acesso ao diagnóstico e ao tratamento e da implementação de políticas públicas de prevenção.

As doenças cardiovasculares incluem problemas que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Em 2024, essas enfermidades responderam por 27,3% das mortes registradas no Brasil, de acordo com os números apresentados pela entidade.

Fonte: Cardiômetro

Taxa de mortalidade recua 36%

Apesar do volume de óbitos, a taxa de mortalidade cardiovascular diminuiu nas últimas décadas. Em 2000, eram 306,4 mortes por 100 mil habitantes. Em 2024, o indicador caiu para 195 por 100 mil, redução de aproximadamente 36%.

A queda da taxa não significa, necessariamente, diminuição proporcional do total de mortes. O número absoluto também é influenciado pelo tamanho e pela composição etária da população. O envelhecimento demográfico, por exemplo, pode elevar a quantidade de óbitos mesmo quando o risco medido por habitante diminui.

A diferença entre os indicadores mostra por que o acompanhamento da mortalidade no Brasil precisa considerar tanto os números absolutos quanto as taxas ajustadas ou calculadas por população.

>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook

Alagoas tem a maior taxa estadual

Entre os estados brasileiros, Alagoas apresentou a maior taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares, com 245,5 óbitos por 100 mil habitantes. O Amapá aparece em segundo lugar, com 225,1, seguido por Mato Grosso do Sul, com 220,4.

Os três indicadores superam a taxa nacional de 195 mortes por 100 mil habitantes. Alagoas registra um índice cerca de 26% superior à média brasileira.

Os dados identificam diferenças territoriais relevantes, mas não explicam, isoladamente, suas causas. Para compreender as desigualdades, é necessário cruzar os indicadores com informações sobre idade, renda, fatores de risco, disponibilidade de serviços de saúde e tempo de resposta a emergências. Os números divulgados não permitem atribuir as diferenças estaduais a um único fator.

Prevenção pode alterar a trajetória

O cardiologista Antonio Luiz Pinho Ribeiro, coordenador da plataforma de dados da SBC, afirma que o cenário projetado para 2030 pode mudar conforme a evolução dos fatores de risco e das políticas de saúde.

Entre as medidas apontadas pela entidade estão o controle da hipertensão arterial e do diabetes, a redução do tabagismo, a prevenção da obesidade e do sedentarismo e o atendimento rápido nos casos de infarto e AVC.

A ampliação do diagnóstico e do tratamento também pode influenciar a evolução dos indicadores. A identificação precoce de fatores de risco permite iniciar medidas de controle antes que ocorram complicações, enquanto o atendimento de emergência é decisivo diante de eventos cardiovasculares agudos.

Os dados integram o novo Hub de Doenças Cardiovasculares, plataforma da Sociedade Brasileira de Cardiologia desenvolvida em parceria com a World Heart Federation. A ferramenta reúne séries históricas, taxas de mortalidade e projeções, com recortes por estado, sexo e faixa etária.

As informações combinam dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e estimativas epidemiológicas do Global Burden of Disease. A plataforma também utiliza estimativas populacionais do IBGE disponibilizadas pelo DataSUS.

A projeção de 462.573 mortes em 2030 deve ser interpretada como um cenário condicionado à manutenção das tendências atuais, e não como um resultado inevitável. Mudanças nos fatores de risco, na prevenção e na assistência podem alterar a trajetória da mortalidade cardiovascular.

Com informações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Agência Brasil. 
@sbc.cardiol
#Saúde #SaúdePública #DoençasCardiovasculares #Cardiologia #Mortalidade #Infarto #AVC #Hipertensão #Prevenção #Brasil #DadosDeSaúde #SociedadeBrasileiraDeCardiologia

Acesse o Cardiômetro

*Tempo estimado de leitura desta notícia: 4 minutos (período em que cerca de 3 pessoas morreriam por doenças cardiovasculares no Brasil, considerando a estimativa de uma morte a cada 72 segundos).



 


Deixe seu Comentário