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Missões internacionais destacam a segurança e a transparência do sistema eletrônico de votação

Relatórios de organizações nacionais e internacionais apontam a capacidade da Justiça Eleitoral de organizar uma votação de grande escala e a necessidade de aperfeiçoar a experiência dos eleitores

12/10/2026 - 10:02 Por Wilson Lopes
As missões internacionais de observação eleitoral destacaram o funcionamento regular, os mecanismos de verificação e a transparência do sistema eletrônico de votação brasileiro nas eleições de 2026

As missões nacionais e internacionais que acompanharam o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, realizado em 4 de outubro, destacaram a organização do pleito, a transparência dos procedimentos e o funcionamento do sistema eletrônico de votação no Brasil. 

Os relatórios preliminares, divulgados após a votação, também registraram filas em locais de votação, dificuldades pontuais de acessibilidade, problemas no reconhecimento biométrico e preocupações com a desinformação e a judicialização da campanha. 

As avaliações indicam que as ocorrências identificadas não comprometeram, de maneira geral, a continuidade da votação, embora revelem desafios para o aperfeiçoamento do processo eleitoral.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) informou que 100% das 517.179 seções eleitorais instaladas no país e no exterior abriram no dia da eleição. A missão, composta por 91 especialistas e observadores de 23 nacionalidades, acompanhou o processo em 21 unidades da Federação e no Distrito Federal, além de seis cidades estrangeiras. No dia da votação, visitou 831 seções eleitorais distribuídas por 371 locais de votação.

A organização também reconheceu a capacidade técnica e logística do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TRE). Segundo o relatório, os procedimentos previstos no calendário eleitoral foram cumpridos, e os observadores tiveram acesso às etapas de preparação, votação, auditoria e totalização dos votos.

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Filas e biometria desafiam a experiência dos eleitores

Apesar da avaliação geral positiva, o tempo de espera foi um dos problemas mais recorrentes. A Transparência Eleitoral Brasil registrou filas com mais de três pessoas em 479 das 610 seções eleitorais observadas até as 13h50 de 4 de outubro. O número corresponde a 79,8% da amostra válida daquele levantamento, que reuniu informações de diferentes regiões do país e de locais de votação no exterior.

As filas mais expressivas foram relatadas em São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Pará, Bahia e Pernambuco. Em algumas seções, houve registros de espera superior a uma hora. A missão também identificou dificuldades para localizar locais de votação, obter informações sobre a justificativa eleitoral e acessar seções instaladas em andares superiores ou em estruturas com rampas inadequadas.

O relatório da OEA igualmente registrou filas prolongadas em diferentes localidades brasileiras e no exterior. Entre as causas apontadas estavam o aumento do número de eleitores em determinadas seções, o tempo necessário para votar e os atrasos no reconhecimento biométrico das impressões digitais.

A observação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) reforçou a preocupação com a acessibilidade. O documento destacou que, embora o atendimento prioritário tenha sido respeitado na maior parte das situações observadas, ainda existem barreiras arquitetônicas e dificuldades de organização quando várias pessoas com prioridade precisam ser atendidas simultaneamente.

Urnas eletrônicas funcionaram, mas houve atraso na divulgação dos resultados

O funcionamento das urnas foi outro ponto central dos relatórios. Segundo os dados do TSE citados pela OEA, às 18h de 4 de outubro haviam sido substituídas 1.861 urnas eletrônicas, equivalentes a 0,34% do total informado naquele registro. Nenhuma seção eleitoral precisou recorrer à votação manual no território nacional, de acordo com o relatório.

A OEA também acompanhou os procedimentos de verificação da autenticidade do software, emissão da zerésima — documento que demonstra que a urna não registra votos antes do início da votação — e realização dos testes de integridade.

Um problema, entretanto, ocorreu na divulgação dos resultados presidenciais. Às 19h06, o portal de resultados deixou de ser atualizado quando o painel registrava 64,81% das atas apuradas. O sistema de totalização dos votos continuou funcionando, segundo os observadores. O TSE atribuiu o atraso a um congestionamento provocado por fluxo de dados superior ao habitual, cuja resolução exigiu procedimentos de isolamento e reconexão dos sistemas.

A atualização foi retomada e a apuração chegou a 100% às 2h58 de 5 de outubro. Para a missão, a interrupção temporária do painel público não comprometeu a totalização dos votos, pois os sistemas de apuração e divulgação operam separadamente.

O episódio evidencia uma distinção importante: a continuidade da apuração não significa que a comunicação dos resultados tenha funcionado sem falhas. A transparência eleitoral depende tanto da integridade dos registros quanto da disponibilidade das informações ao público.

Polarização, desinformação e judicialização entram no balanço

Além dos aspectos operacionais, a OEA identificou um ambiente de forte polarização política durante a campanha, marcado por confrontos pessoais, circulação de informações falsas e disputas judiciais. O relatório menciona preocupações manifestadas por grupos políticos sobre conteúdos violentos e publicações que incentivavam o ódio nas redes sociais.

A missão também registrou controvérsias relacionadas à aplicação das regras eleitorais no ambiente digital, ao uso de imagens reais ou geradas por inteligência artificial e às restrições impostas aos sistemas de recomendação de conteúdos políticos nas plataformas.

Outro dado destacado no documento é o volume de processos judiciais. Em 4 de outubro, a Secretaria Judicial do TSE contabilizava aproximadamente 90.275 processos relacionados ao ciclo eleitoral. O relatório ressalta que decisões judiciais individuais, especialmente em medidas cautelares, geraram críticas de atores políticos sobre a previsibilidade das regras e a segurança jurídica da disputa.

Esses registros devem ser interpretados como constatações e preocupações relatadas pela missão, e não como comprovação automática de irregularidades ou de interferência indevida no processo eleitoral.

Participação e transparência permanecem no centro da avaliação

O Carter Center classificou o pleito como bem organizado e transparente e informou que retornaria ao Brasil para acompanhar o segundo turno presidencial, previsto para 25 de outubro. A organização também destacou o investimento brasileiro em tecnologia eleitoral e a divulgação dos resultados poucas horas depois do encerramento da votação.

O Parlamento do Mercosul (Parlasul) e outras missões internacionais também reconheceram o funcionamento regular do sistema eleitoral. No âmbito nacional, os relatórios da PUC-SP, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), por meio do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Direito Internacional (NEPEDI), e da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) contribuíram para ampliar a observação sobre acessibilidade, filas, funcionamento das urnas e condições de votação.

As avaliações são preliminares e não representam uma auditoria única ou um levantamento estatístico uniforme. Cada missão adotou metodologia, abrangência territorial e amostra próprias. Os relatórios finais poderão aprofundar as ocorrências registradas e apresentar recomendações para os próximos processos eleitorais.

O conjunto dos documentos aponta, portanto, dois aspectos complementares: a capacidade da Justiça Eleitoral de organizar uma votação de grande escala e a necessidade de aperfeiçoar a experiência dos eleitores, a acessibilidade dos locais de votação e a comunicação pública dos resultados. O acompanhamento do segundo turno deverá permitir verificar se as medidas adotadas respondem aos problemas identificados.

Zerésima e o Teste de Integridade

A zerésima é o documento impresso pela urna eletrônica antes do início da votação, que comprova a inexistência de votos registrados para as candidaturas naquele momento. 

Já o Teste de Integridade é um procedimento de auditoria realizado no dia da eleição, no qual votos previamente conhecidos são inseridos em urnas selecionadas e os resultados registrados eletronicamente são comparados com os votos de referência. 

Os dois procedimentos permitem verificar etapas distintas do processo eleitoral: enquanto a zerésima demonstra que a urna começa a votação sem votos registrados, o teste verifica se os votos inseridos são contabilizados corretamente.

Observadores acompanharam a votação e a apuração dos votos (Nelson Jr/Secom-TSE)

Observação independente

A presença das missões nacionais e internacionais integra as ações de transparência eleitoral adotadas pela Justiça Eleitoral brasileira. Por meio da observação independente, representantes de instituições e organismos credenciados têm acesso às etapas do processo, acompanham procedimentos de auditoria e fiscalização e, ao final, apresentam avaliações e recomendações que podem contribuir para o aperfeiçoamento das eleições. 

No 1.º turno, o processo foi acompanhado por missões internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Parlamento do Mercosul (Parlasul), da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP), do Carter Center, União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e da Liga dos Estados Árabes. Entre as diversas missões nacionais que acompanharam o pleito, estão a Transparência Eleitoral Brasil, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), a Universidade Federal da Integração Latino-Americana e o Núcleo de Estudos e Pesquisa em Direito Internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Nepedi/Uerj).  

Com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - AN/GO/DB
@tsejus @oea_oficial @brasil_oea @thecartercenter @transparenciaeleitoralbr @puc_sp @uerj.oficial @unila.oficial @nepedi.uerj

Acesse o relatório ‘Missões de Observação Eleitoral Eleições Gerais de 2026 - 1º Turno’

 

 


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