O estudo apresenta estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.Em 2006, 42,6% dos brasileiros estavam com excesso de peso (IMC ≥25 kg/m²). Em apenas 18 anos, esse percentual subiu para 62,6% (2024), um crescimento de 47%. No mesmo período, a obesidade (IMC ≥30 kg/m²) mais do que dobrou, passando de 11,8% para 25,7% da população, um salto de 118%.
Não bastasse, o número de adultos brasileiros com diabete aumentou 135%, passando de 5,5% para 12,9% da população. Já o diagnóstico médico de hipertensão em adultos apresentou aumento de 31%, oscilando de 22,6% para 29,7%.
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Os dados constam no relatório Vigitel Brasil 2006/2024 - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Produzido pelo Ministério da Saúde, o estudo apresenta estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.
A 18ª edição do Vigitel ouviu 27.048 brasileiros sobre assuntos como excesso de peso e obesidade, consumo alimentar, atividade física, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, morbidade referida, autoavaliação do estado de saúde, prevenção de câncer de mama e de colo de útero.
DADOS DO VIGITEL 2006/2024
Fonte: Vigitel Brasil 2006/2024 - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito TelefônicoExcesso de peso e obesidade
Segundo a Organização Mundial da Saúde, obesidade é o excesso de gordura corporal, em quantidade que determine prejuízos à saúde. Em estudos epidemiológicos, o diagnóstico do estado nutricional de adultos é feito a partir do Índice de Massa Corporal (IMC), obtido pela divisão do peso, medido em quilogramas, pela altura elevada ao quadrado, medida em metros (kg/m²). O excesso de peso é diagnosticado quando o IMC alcança valor igual ou superior a 25 kg/m², enquanto a obesidade é diagnosticada com valor de IMC igual ou superior a 30 kg/m².
A frequência de adultos com excesso de peso, entre 2006 e 2024, variou de 42,6%, em 2006, a 62,6% em 2024 (aumento médio de 1,05 pp/ano). Esse aumento foi observado em ambos os sexos, com maior aumento entre as mulheres, variando de 38,5%, em 2006, a 60,6% em 2024 (1,20 pp/ano). Em relação às faixas de idade, os maiores aumentos foram observados entre adultos de 25 a 44 anos, variando de 37,5%, em 2006, a 61,7% em 2024 (1,21 pp/ano) para aqueles entre 25 e 34 anos; e de 48,8% a 69,2% (1,10 pp/ano) para aqueles entre 35 e 44 anos.
A frequência de adultos com obesidade aumentou no período entre 2006 e 2024, sendo maior entre as mulheres, variando de 12,1%, em 2006, a 26,7% em 2024 (Julio Diniz/Prefeitura São Gonçalo/RJ)A frequência de adultos com obesidade aumentou no período entre 2006 e 2024, variando de 11,8%, em 2006, a 25,7% em 2024 (aumento médio de 0,71 pp/ano). Esse aumento foi observado em ambos os sexos, sendo maior entre as mulheres, variando de 12,1%, em 2006, a 26,7% em 2024 (0,73 pp/ano). Em relação às faixas de idade, o maior aumento foi observado entre adultos de 35 a 44 anos, variando de 12,8%, em 2006, a 30,1% em 2024 (0,82 pp/ano). Os maiores aumentos foram entre aqueles com 25 a 34 anos, variando de 18,9%, em 2019, a 25,2% em 2024 (1,31 pp/ano).
Fonte: Vigitel Brasil 2006/2024 - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito TelefônicoHipertensão arterial
A frequência de adultos que referiram diagnóstico médico de hipertensão aumentou no período entre 2006 e 2024, variando de 22,6%, em 2006, a 29,7% em 2024 (0,37 pp/ano). Foi observado aumento na prevalência do indicador em ambos os sexos, com maior incremento entre os homens, variando de 19,5%, em 2006, a 27,4% em 2024 (0,40 pp/ano). Também foi observado aumento entre as mulheres, variando de 28,7%, em 2019, a 31,7% em 2024 (0,74 pp/ano), enquanto para os homens não houve mudança significativa no período.
Fonte: Vigitel Brasil 2006/2024 - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito TelefônicoDiagnóstico médico de diabete
A frequência de adultos que referiram diagnóstico médico de diabete aumentou no período entre 2006 e 2024, variando de 5,5%, em 2006, a 12,9% em 2024 (0,35 pp/ano). Esse aumento foi observado em ambos os sexos, sendo maior entre as mulheres, variando de 6,3% a 14,3% (0,38 pp/ano). Situação semelhante foi observada em ambos os sexos, com maior incremento entre as mulheres, variando de 8,4%, em 2019, a 14,3% em 2024 (1,11 pp/ano). Em relação às faixas de idade, o maior aumento foi observado entre adultos de 65 anos ou mais, variando de 18,9%, em 2006, a 31,4% em 2024 (0,57 pp/ano).
Diagnóstico médico de depressão
A frequência de adultos com diagnóstico médico de depressão aumentou no período entre 2020 e 2024, variando de 10,9%, em 2020, a 14,5% em 2024 (0,83 pp/ano). Em relação ao sexo, apenas as mulheres apresentaram aumento, variando de 14,8%, em 2020, a 19,7% em 2024 (1,17 pp/ano). Em relação às faixas de idade, observou-se aumento apenas entre adultos de 35 a 44 anos, variando de 10,4%, em 2020, a 13,6% em 2024 (0,93 pp/ano), e aqueles de 65 anos ou mais, variando de 12,3%, em 2020, a 14,6% em 2024 (0,60 pp/ano).
Consumo de bebidas alcoólicas
A frequência de consumo episódico pesado de bebidas alcoólicas [cinco ou mais doses (homem) ou quatro ou mais doses (mulher) em uma única ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias] aumentou no período de 2006 a 2024, variando de 15,7%, em 2006, a 20,4% em 2024 (0,17 pp/ano). Esse aumento também foi observado entre as mulheres, variando de 7,8%, em 2006, a 15,7% em 2024 (0,35 pp/ano), enquanto entre os homens não foi identificada variação significativa. Observou-se aumento do consumo episódico pesado de bebidas alcoólicas em quase todas as faixas de idade, exceto entre 18 e 24 anos. O maior aumento foi entre adultos de 25 a 34 anos, variando de 21,7%, em 2006, a 25,6% em 2024 (0,40 pp/ano), e entre adultos de 35 a 44 anos, variando de 17,6%, em 2006, a 26,3% em 2024 (0,40 pp/ano).
Frequência de fumantes e dispositivo eletrônico
A publicação apresenta estimativa referente à frequência de fumantes, considerando fumante todo indivíduo que fuma, independentemente da frequência e intensidade. Nesse sentido, a frequência de fumantes diminuiu no período entre 2006 e 2024, variando de 15,7%, em 2006, a 11,5% em 2024 (-0,69 pp/ano). Essa diminuição foi observada entre os homens, variando de 19,5%, em 2006, a 13,9% em 2024 (-0,38 pp/ano), e sem mudanças significativas entre as mulheres.
A frequência de adultos que referiram uso de dispositivo eletrônico para fumar diária ou ocasionalmente manteve-se relativamente estável (sem mudança significativa), variando de 2,3%, em 2019, a 2,4% em 2024. A frequência de adultos que já experimentaram dispositivos eletrônicos para fumar também se manteve estável, variando de 6,4%, em 2019, a 8,4% em 2024.
A atividade moderada no tempo livre com pelo menos 150 minutos semanais cresceu de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024 (Elienai Emanuel/Prefeitura Manaus/AM) Nem tudo está perdido
Apesar de a atividade física no deslocamento pelas cidades ter diminuído de 17% em 2009 para 11,3% em 2024 devido ao maior uso de carros por aplicativos e transporte público, a atividade moderada no tempo livre com pelo menos 150 minutos semanais cresceu de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024.
O consumo de refrigerantes e sucos artificiais (5 dias por semana ou mais) teve redução de 30,9% (2007) para 16,2% (2024).
E o consumo regular de frutas e hortaliças (5 dias por semana ou mais) manteve-se relativamente estável, variando de 33% (2008) para 31,4% (2024).
Em contrapartida, o brasileiro está comendo menos feijão. A frequência de adultos que consumiram por cinco ou mais dias da semana diminuiu entre 2007 e 2024, variando de 66,8% para 56,4%.
Fonte: Vigitel Brasil 2006/2024 - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito TelefônicoSono, insônia e ultraprocessados
Em 2024, o Vigitel também começou a investigar a frequência do consumo de cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados (bebida achocolatada, salsicha, presunto, margarina, maionese, ketchup, macarrão instantâneo, salgadinho de pacote, sorvete industrializado, etc.) no dia anterior à entrevista. No conjunto das 27 capitais, a frequência do consumo foi de 25,5%, sendo mais elevada entre homens (27,5%) que entre mulheres (23,7%).
E, pela primeira vez, o Vigitel apresenta dados nacionais sobre o sono. A frequência de adultos com duração curta de sono (<6 horas/noite) foi de 20,2%, sendo maior no sexo feminino (21,3%) que no masculino (18,9%). No total da população, a duração curta de sono variou entre as faixas de idade, com maiores percentuais entre os adultos de 65 anos ou mais (23,1%).
No conjunto das 27 cidades, a frequência de adultos com sintomas de insônia foi de 31,7%, sendo maior no sexo feminino (36,2%) que no masculino (26,2%). No total da população, a frequência de adultos com sintomas de insônia foi relativamente homogênea entre as faixas de idade, com maiores percentuais entre os adultos de 45 a 54 anos (32,9%).
Com informações do Ministério da Saúde; Ana Cristina Campos, Agência Brasil.
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