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Perereca de Paracatu causa frisson no mundo científico

Espécie habita as margens do Rio Paracatu, um dos principais afluentes do São Francisco, no Cerrado mineiro

18/02/2026 - 12:25 Por Wilson Lopes

A cidade de Paracatu (94.023 habitantes, Censo/2022), distante 502 km de Belo Horizonte, ilustra as páginas do jornal científico Zootaxa (Ed 5.757, nº 6), com a descoberta de uma perereca nativa da região.

Batizado de ‘Ololygon paracatu’, o anfíbio vive em uma área extremamente restrita e foi registrado apenas em duas localidades do Rio Paracatu, um dos principais afluentes do Rio São Francisco, no Cerrado do noroeste de Minas Gerais.

Assim como outras espécies do gênero Ololygon, o animal vive nas chamadas matas de galeria, vegetação florestal associada a rios de pequeno porte, córregos de águas rápidas e leito rochoso. A nova espécie é a oitava do gênero Ololygon descrita no Cerrado, ampliando a lista de anfíbios endêmicos do bioma.

A pesquisa envolve instituições como a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e o Museo Argentino de Ciencias Naturales.

O estudo combinou análises genéticas, comparações morfológicas e gravações de vocalizações. Parte essencial desse processo envolveu o uso de coleções biológicas.

De pequeno porte, a espécie apresenta diferenças morfológicas, acústicas e moleculares em relação a outras pererecas do mesmo gênero. Os machos medem entre 20,4 e 28,2 milímetros, enquanto as fêmeas variam de 29,3 a 35,2 milímetros.

Segundo os pesquisadores Carvalho, D., Valencia-Zuleta, A., Araujo-Vieira, K., Faivovich, J., Maciel, NM & Brandão, RA, a perereca de Paracatu “distingue-se das demais espécies do grupo O. catharinae por apresentar canto rostral marcado e curvo; focinho subovoide em vista dorsal e protuberante em perfil; mancha interocular em forma de triângulo invertido, que se estende além da margem posterior dos olhos; região inguinal e áreas escondidas das coxas com manchas irregulares marrom-escuras sobre fundo amarelo-pálido em vida; e canto de anúncio composto por 3 a 5 notas pulsadas e frequência dominante de 2,5 a 3,5 kHz”. 

Alerta ambiental

A descoberta também é um alerta ambiental. Durante o trabalho de campo, os pesquisadores observaram sinais de degradação em parte dos riachos analisados, como assoreamento.

“A conservação dos córregos e riachos onde essa nova espécie vive é essencial não apenas para sua sobrevivência, mas para a manutenção do próprio Rio Paracatu e seus afluentes”, alerta Daniele Carvalho, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN-ICMBio) e primeira autora do estudo.

Para a pesquisadora, descrever uma espécie é dar um nome a ela e torná-la visível para a ciência e para a sociedade. Ela espera que o nome ajude a chamar a atenção para a crise hídrica e ambiental que assola a bacia hidrográfica.

“A pesquisa é fruto de anos de esmero e dedicação ao estudo dos anfíbios do Cerrado, um bioma incrivelmente rico, porém severamente subestimado e ameaçado”, complementa Reuber Brandão, professor da UnB e membro da RECN, iniciativa da Fundação Grupo Boticário.

1.188 espécies de anfíbios

Conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, mais de 8.400 espécies de anfíbios são conhecidas no mundo, sendo o Brasil o país com a maior diversidade desse grupo. As espécies de anfíbios conhecidas até o momento no Brasil compreendem 1.188 espécies, sendo 1.200 espécies de anuros (rãs, sapos e pererecas), seguidas de cecílias (39 espécies) e salamandras (5 espécies).

Com informações de Rafael Cardoso, Agência Brasil.

Acesse o estudo ‘Uma nova espécie do grupo Ololygon catharinae do Cerrado brasileiro (Anura, Hylidae, Scinaxini)’>>

Acesse a página Anfíbios e Répteis do Brasil>>


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