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Desastres naturais

Planejamento permanente pode prevenir eventos climáticos extremos

Guia orienta prefeituras a estruturar planos de prevenção, resposta e reconstrução diante do aumento de enchentes, secas, queimadas e ondas de calor

28/07/2026 - 11:02 Por Wilson Lopes

O aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos exige uma mudança na forma como os municípios brasileiros se preparam para enfrentar desastres naturais. Essa é a principal conclusão do ‘Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos’, lançado pela Associação Brasileira de Municípios (ABM).

Diferentemente de um estudo estatístico, o documento funciona como um manual técnico de gestão pública, reunindo orientações para que prefeituras atuem antes, durante e após situações de emergência provocadas por enchentes, secas, deslizamentos, queimadas, ondas de calor e outros fenômenos associados às mudanças climáticas.

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Brasil inteiro deve se preparar

O guia não identifica cidades ou estados específicos como mais vulneráveis. As recomendações são dirigidas aos 5.569 municípios brasileiros, reconhecendo que os impactos das mudanças climáticas atingem todo o território nacional, embora com características distintas em cada região.

O documento também alinha suas orientações às principais políticas e acordos internacionais, entre eles:

  • Agenda 2030 da ONU;
  • Acordo de Paris;
  • Marco de Sendai para Redução do Risco de Desastres (2015–2030);
  • Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Principais ameaças climáticas

O guia identifica 15 tipos de riscos que devem ser avaliados pelos municípios durante o diagnóstico territorial:

  • enchentes;
  • inundações;
  • alagamentos;
  • enxurradas;
  • elevação do nível das águas;
  • secas;
  • estiagens;
  • movimentos de massa;
  • incêndios;
  • queimadas;
  • desmatamento;
  • erosão costeira;
  • poluição do ar;
  • doenças transmitidas por vetores;
  • tempestades tropicais e ciclones.

Populações mais vulneráveis

O documento recomenda que as prefeituras identifiquem previamente os grupos mais suscetíveis aos impactos climáticos, entre eles:

  • crianças;
  • idosos;
  • gestantes;
  • pessoas com deficiência;
  • famílias de baixa renda;
  • povos indígenas;
  • comunidades quilombolas;
  • pessoas em situação de rua;
  • trabalhadores expostos ao calor;
  • moradores de áreas de risco;
  • turistas.

Preparação deve começar antes dos desastres

Segundo a ABM, a prevenção deve envolver toda a administração municipal. Entre as principais medidas recomendadas estão:

  • criação de Gabinete Permanente de Crise;
  • atualização dos Planos Municipais de Contingência;
  • mapeamento das áreas de risco;
  • monitoramento meteorológico permanente;
  • implantação de sistemas de alerta;
  • realização de simulados de evacuação;
  • integração entre Defesa Civil, Saúde, Educação, Assistência Social, Infraestrutura e Meio Ambiente;
  • capacitação contínua das equipes municipais.

As primeiras 72 horas são decisivas

O guia destaca que as primeiras horas após um desastre são fundamentais para reduzir perdas humanas. As prioridades incluem:

  • ativação imediata do Plano de Contingência;
  • instalação do Gabinete de Crise;
  • evacuação de áreas ameaçadas;
  • abertura de abrigos;
  • distribuição de água, alimentos, colchões e kits de higiene;
  • emissão de alertas oficiais;
  • avaliação preliminar dos danos;
  • comunicação integrada entre município, Estado e União.

Saúde deve monitorar surtos

Na área da saúde, o documento alerta para o aumento do risco de doenças após enchentes, alagamentos e queimadas. Entre as principais preocupações estão:

  • leptospirose;
  • dengue;
  • zika;
  • chikungunya;
  • febre Oropouche;
  • febre amarela;
  • doenças respiratórias;
  • doenças diarreicas;
  • problemas relacionados ao calor extremo;
  • impactos psicológicos como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático.

O guia recomenda ainda reforçar estoques de medicamentos, manter equipes preparadas, garantir a qualidade da água e ampliar o atendimento psicológico às populações atingidas.

Reconstrução deve reduzir novos riscos

Após o desastre, a prioridade deixa de ser apenas reconstruir estruturas danificadas. A ABM orienta que os municípios:

  • atualizem mapas de risco;
  • revisem os planos de contingência;
  • documentem prejuízos para obtenção de recursos estaduais e federais;
  • fortaleçam a transparência na aplicação dos recursos;
  • reconstruam habitações e infraestrutura em locais mais seguros, reduzindo a exposição da população a novos eventos extremos.

O principal diagnóstico da publicação é que os desastres climáticos deixaram de ser eventos excepcionais e passaram a exigir preparação permanente das administrações municipais. Para a ABM, municípios que investem em planejamento, integração entre secretarias, sistemas de alerta, capacitação técnica e comunicação eficiente conseguem responder com maior rapidez, preservar vidas, reduzir prejuízos econômicos e acelerar a recuperação das comunidades atingidas. O documento reforça ainda que a adaptação climática deve ser incorporada às políticas públicas locais como parte contínua da gestão municipal, e não apenas como resposta a situações de emergência.

@abmunicipios

Acesse o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos

 

 


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