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IDSC-BR/2026

Santana da Ponte Pensa, Vinhedo, São Caetano do Sul e Brasília lideram índice de sustentabilidade

Nove dos dez primeiros municípios que dominam o ranking geral do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades têm menos de 20 mil habitantes

12/09/2026 - 12:39 Por Wilson Lopes

Uma cidade paulista de apenas 1.670 habitantes lidera o ranking de desenvolvimento sustentável entre os 5.569 municípios brasileiros. Santana da Ponte Pensa alcançou 67,83 pontos no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) 2026, seguida por Uru, com 67,23, e Santópolis do Aguapeí, com 66,84. O resultado contrasta com o desempenho das grandes cidades: entre os municípios com mais de 500 mil habitantes, Brasília aparece em primeiro lugar, com 61,71 pontos, mas ocupa a 122.ª posição no ranking nacional.

O IDSC-BR mede o progresso dos municípios brasileiros em relação aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A edição de 2026 reúne 100 indicadores relacionados a áreas como saúde, educação, pobreza, renda, saneamento, moradia, segurança, meio ambiente, trabalho, desigualdade e gestão pública. A pontuação varia de zero a 100: quanto maior for a nota, mais próximo o município está do desempenho considerado ótimo.

O resultado revela um dos principais paradoxos do levantamento: as cidades que lideram o ranking geral não são necessariamente as maiores ou mais conhecidas do país. Nove dos dez primeiros municípios têm menos de 20 mil habitantes. A exceção é São Caetano do Sul (SP), que aparece na décima colocação geral, com 65,86 pontos.

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São Paulo domina entre os municípios mais bem avaliados

A presença paulista é outro destaque. Dos dez municípios mais bem colocados no ranking geral, oito estão em São Paulo e dois em Minas Gerais. Santana da Ponte Pensa, Uru, Santópolis do Aguapeí, Dolcinópolis, Flora Rica, Macedônia e Iacri estão entre as cidades paulistas que ocupam as primeiras posições.

O desempenho de São Caetano do Sul chama atenção porque o município, com 165,6 mil habitantes, é o primeiro colocado entre as cidades com mais de 10 mil moradores e também aparece no décimo lugar do ranking geral.

A capital federal conquistou o 1º lugar entre os municípios com mais de 500 mil habitantes no IDSC-BR 2026, com 61,71 pontos, e foi a única cidade desse grupo a alcançar a faixa de alto desenvolvimento sustentável, considerando 100 indicadores relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (Joel Rodrigues/Agência Brasília)

Brasília lidera entre as grandes cidades

Quando o recorte considera apenas municípios com mais de 500 mil habitantes, a liderança muda. Brasília passa ao primeiro lugar, com 61,71 pontos, à frente de Curitiba (58,15) e São Paulo (58,01).

A capital federal é a única cidade dessa faixa populacional classificada no nível alto de desenvolvimento sustentável, que corresponde às notas de 60 a 79,99. Nenhum município com mais de 500 mil habitantes alcançou a categoria de desenvolvimento muito alto, reservada às pontuações entre 80 e 100.

Brasília também apresentou evolução em relação à edição anterior. A capital havia registrado 57,67 pontos e passou para 61,71 em 2026.

São Caetano do Sul, município do ABC Paulista, conquistou 65,86 pontos no IDSC-BR 2026, ficando em 1º lugar entre as cidades de 100 mil a 500 mil habitantes e em 10º lugar no ranking geral dos municípios brasileiros (Letícia Teixeira/PMSCS)

Cidades médias mantêm desempenho superior ao das metrópoles

O ranking também mostra que bons resultados aparecem em diferentes escalas populacionais.

Entre os municípios com 100 mil a 500 mil habitantes, São Caetano do Sul lidera, com 65,86 pontos. Jundiaí (SP), Assis (SP) e Maringá (PR) completam as quatro primeiras posições.

Entre 20 mil e 100 mil habitantes, Vinhedo (SP) aparece em primeiro lugar, com 64,52 pontos. Pedreira e Piraju, também paulistas, ocupam as posições seguintes.

Já entre os municípios com **até 20 mil habitantes**, Santana da Ponte Pensa ocupa novamente a liderança, seguida por Uru e Santópolis do Aguapeí.

Com 76.663 habitantes, Vinhedo, cidade do interior de São Paulo, conquistou 64,52 pontos no IDSC-BR 2026, ficando em 1º lugar entre os municípios com 20 mil a 100 mil habitantes e na 25ª posição no ranking geral do Brasil (Governo SP)

O tamanho da cidade não explica sozinho o desempenho

A comparação entre os grupos populacionais evidencia que não existe uma relação direta entre população e pontuação no IDSC-BR.

Santana da Ponte Pensa, com 1.670 habitantes, tem 6,12 pontos a mais que Brasília, embora a capital federal tenha população superior a 2,8 milhões de habitantes no recorte apresentado pelo índice.

A comparação, porém, não significa que os dois municípios enfrentem problemas equivalentes. Grandes centros urbanos lidam com desafios de escala que podem ser menos presentes em municípios pequenos, como deslocamentos metropolitanos, déficit habitacional, desigualdade territorial, congestionamentos e maior complexidade na oferta de serviços públicos.

Por isso, o próprio IDSC permite comparar cidades por diferentes recortes populacionais, além do ranking geral.

Santana da Ponte Pensa, no interior de São Paulo, superou cidades de diferentes portes e está no topo de um ranking nacional que considera dimensões como educação, saúde, renda, saneamento, meio ambiente e redução das desigualdades (Prefeitura Santana da Ponte Pensa/SP)

Média brasileira ultrapassa 50 pontos pela primeira vez

Apesar das diferenças entre os municípios, o resultado nacional apresenta uma melhora. A média dos 5.569 municípios brasileiros chegou a 51,22 pontos, superando pela primeira vez a marca de 50 desde o início da série histórica.

Cerca de 70% dos municípios melhoraram sua pontuação em relação à edição anterior. Ainda assim, a evolução não eliminou a desigualdade entre os territórios.

O levantamento mostra também que nenhuma cidade brasileira chegou ao nível muito alto, acima de 80 pontos. Apenas uma parcela restrita alcançou a faixa alta, enquanto a maior parte dos municípios permanece nas categorias média, baixa ou muito baixa.

Amazônia concentra os piores resultados

Na outra extremidade do ranking, o contraste regional é ainda mais evidente. As dez cidades com pior desempenho estão na Amazônia Legal. Lábrea (AM) registra a menor pontuação, com cerca de 32,8 pontos, seguida por Ulianópolis (PA), com 32,9, e Envira (AM), com 34,1.

O resultado evidencia que a melhora da média nacional não ocorre de maneira uniforme. Há municípios que avançam em direção às metas da Agenda 2030, enquanto outros permanecem distantes dos níveis considerados adequados.

O que a pontuação significa?

O IDSC-BR não deve ser interpretado como uma pesquisa sobre qual cidade é “melhor para morar”. A metodologia combina 100 indicadores relacionados aos 17 ODS e transforma os resultados em uma escala de zero a 100. A diferença entre a pontuação obtida e 100 representa a distância até o desempenho considerado ótimo pelo índice.

Também existem limitações de dados. O próprio Instituto Cidades Sustentáveis informa que nem todas as dimensões dos ODS puderam ser contempladas devido à ausência de informações nas bases públicas oficiais. Por isso, a nota representa o desempenho agregado dos indicadores disponíveis, e não uma fotografia absoluta de todas as condições sociais, econômicas e ambientais de cada município.

O retrato produzido pelo IDSC-BR 2026, portanto, combina dois movimentos simultâneos: o Brasil apresenta melhora na média, mas continua marcado por grandes diferenças territoriais. No topo, municípios pequenos do interior paulista superam grandes centros; entre as maiores cidades, Brasília se destaca; e, na parte inferior da classificação, municípios da Amazônia Legal concentram os resultados mais baixos.

Com informações do Instituto Cidades Sustentáveis.
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Acesse o Instituto Cidades Sustentáveis/IDSC-BR 2026

Acesse o Ranking dos Municípios Brasileiros

 

 


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