Com o objetivo de fortalecer a preparação do país diante dos impactos das mudanças climáticas associadas ao fenômeno El Niño, o Ministério da Saúde encaminhou um alerta a estados e municípios sobre a possibilidade de aumento na transmissão de arboviroses, como dengue e chikungunya.
De acordo com projeções desenvolvidas pelo InfoDengue/Fiocruz, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño pode se manifestar de forma moderada a forte, favorecendo condições que ampliam a circulação do mosquito Aedes aegypti, a partir do segundo semestre desse ano. O aumento das temperaturas e das chuvas em algumas regiões, assim como os períodos de seca em outras áreas, podem estimular o armazenamento de água e a formação de criadouros do vetor.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde recomenda que estados e municípios intensifiquem as ações de vigilância e controle, com a realização de bloqueios de transmissão nos primeiros casos identificados, reorganização das atividades dos Agentes de Combate às Endemias e adoção das tecnologias de controle vetorial preconizadas pela pasta.
A colaboração da população também é fundamental. As gestões locais devem reforçar as ações de comunicação e conscientização para que os cidadãos eliminem possíveis criadouros do mosquito em suas residências, fiquem atentos aos sinais e sintomas das arboviroses e procurem atendimento de saúde ao surgimento dos primeiros sintomas.
>>Siga a Agência Cidades no Instagram
>>Siga a Agência Cidades no Facebook
Cenários climáticos
As projeções apresentadas são estimativas epidemiológicas construídas a partir de cenários climáticos e, por isso, estão sujeitas a atualizações e ajustes conforme novas informações forem incorporadas aos modelos. O Ministério da Saúde seguirá monitorando a situação e poderá emitir novos alertas sempre que necessário.
Apesar do cenário de atenção, o país tem apresentado redução no número de casos dessas doenças. Até 20 de junho de 2026, foram registrados 392,8 mil casos de dengue, o que representa queda de 73% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os casos de chikungunya também apresentaram redução de 46%.
A nota técnica conclui que a provável ocorrência de um El Niño extremamente forte em 2026/2027 deverá aumentar significativamente o risco de dengue, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, com reflexos também no Norte do país. O estudo reforça que os meses finais de 2026 exigirão planejamento antecipado das autoridades sanitárias para reduzir o impacto da doença, embora ressalte que o comportamento real da epidemia continuará dependendo da evolução climática, da vacinação, da circulação viral e das ações de controle adotadas ao longo do semestre.
Na Nota técnica 02/2026, o Ministério da Saúde recomenda:
- antecipação de campanhas de comunicação para a população e comunidade médica para antes de outubro;
- implementação e reforço de medidas integradas de controle vetorial;
- fortalecimento das campanhas de vacinação;
- fortalecimento da vigilância em todo o país, inclusive a vigilância virológica, pois essas condições também podem ser favoráveis a outros vírus;
- fortalecimento dos serviços de atenção primária nas regiões de maior risco projetado.
- treinamento de profissionais em áreas não/pouco endêmicas no manejo de dengue.
Com informações do Ministério da Saúde.
Acompanhe os alertas e o monitoramento epidemiológico pelo portal InfoDengue





