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#Arboviroses

Brasil poderá registrar 1,7 milhão de casos de dengue em 2027

Ministério da Saúde alerta sobre possível aumento de arboviroses no país devido ao El Niño e envia nota técnica a estados e municípios orientando gestores a reforçarem ações de vigilância e controle

24/07/2026 - 11:18 Por João Vitor Moura, Ministério da Saúde

Com o objetivo de fortalecer a preparação do país diante dos impactos das mudanças climáticas associadas ao fenômeno El Niño, o Ministério da Saúde encaminhou um alerta a estados e municípios sobre a possibilidade de aumento na transmissão de arboviroses, como dengue e chikungunya. 

De acordo com projeções desenvolvidas pelo InfoDengue/Fiocruz, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. 

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño pode se manifestar de forma moderada a forte, favorecendo condições que ampliam a circulação do mosquito Aedes aegypti, a partir do segundo semestre desse ano. O aumento das temperaturas e das chuvas em algumas regiões, assim como os períodos de seca em outras áreas, podem estimular o armazenamento de água e a formação de criadouros do vetor. 

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde recomenda que estados e municípios intensifiquem as ações de vigilância e controle, com a realização de bloqueios de transmissão nos primeiros casos identificados, reorganização das atividades dos Agentes de Combate às Endemias e adoção das tecnologias de controle vetorial preconizadas pela pasta. 

A colaboração da população também é fundamental. As gestões locais devem reforçar as ações de comunicação e conscientização para que os cidadãos eliminem possíveis criadouros do mosquito em suas residências, fiquem atentos aos sinais e sintomas das arboviroses e procurem atendimento de saúde ao surgimento dos primeiros sintomas. 

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Cenários climáticos

As projeções apresentadas são estimativas epidemiológicas construídas a partir de cenários climáticos e, por isso, estão sujeitas a atualizações e ajustes conforme novas informações forem incorporadas aos modelos. O Ministério da Saúde seguirá monitorando a situação e poderá emitir novos alertas sempre que necessário. 

Apesar do cenário de atenção, o país tem apresentado redução no número de casos dessas doenças. Até 20 de junho de 2026, foram registrados 392,8 mil casos de dengue, o que representa queda de 73% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os casos de chikungunya também apresentaram redução de 46%. 

A nota técnica conclui que a provável ocorrência de um El Niño extremamente forte em 2026/2027 deverá aumentar significativamente o risco de dengue, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, com reflexos também no Norte do país. O estudo reforça que os meses finais de 2026 exigirão planejamento antecipado das autoridades sanitárias para reduzir o impacto da doença, embora ressalte que o comportamento real da epidemia continuará dependendo da evolução climática, da vacinação, da circulação viral e das ações de controle adotadas ao longo do semestre.

Na Nota técnica 02/2026, o Ministério da Saúde recomenda:

  • antecipação de campanhas de comunicação para a população e comunidade médica para antes de outubro; 
  • implementação e reforço de medidas integradas de controle vetorial; 
  • fortalecimento das campanhas de vacinação; 
  • fortalecimento da vigilância em todo o país, inclusive a vigilância virológica, pois essas condições também podem ser favoráveis a outros vírus; 
  • fortalecimento dos serviços de atenção primária nas regiões de maior risco projetado. 
  • treinamento de profissionais em áreas não/pouco endêmicas no manejo de dengue.

Com informações do Ministério da Saúde.

Acompanhe os alertas e o monitoramento epidemiológico pelo portal InfoDengue


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