O Brasil registrou 118.037 casos de malária contraídos no território nacional em 2025, o menor número desde 1978, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde em Brasília. O resultado representa uma queda de 14,8% em relação a 2024 e ocorreu no mesmo período em que o SUS ampliou o uso da tafenoquina, medicamento administrado em dose única, além de expandir o diagnóstico, a realização de testes e o tratamento da doença.
A redução também alcançou os indicadores de gravidade. As mortes por malária passaram de 56, em 2024, para 39, em 2025, uma queda de aproximadamente 30,4%. Já os casos da forma mais grave da doença recuaram 30,7% no período.
O Ministério da Saúde relaciona os resultados ao conjunto de ações adotadas contra a doença, incluindo a incorporação da tafenoquina ao SUS, a ampliação da capacidade de diagnóstico e a oferta de tratamento adequado.
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Mais de 33 mil pessoas receberam tafenoquina
A tafenoquina foi incorporada ao SUS em 2023 e começou a ser ofertada em 2024 para adultos com pelo menos 16 anos e 35 quilos. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido o medicamento. Desse total, 3.920 tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
O medicamento é usado principalmente contra a malária provocada pelo Plasmodium vivax, espécie responsável pela maior parte dos casos no país. Diferentemente de tratamentos que exigem vários dias de administração, a tafenoquina pode ser utilizada em dose única para eliminar formas do parasita que permanecem no fígado e podem provocar novas manifestações da doença.
A vantagem operacional é especialmente relevante em regiões onde o acesso aos serviços de saúde é mais difícil. A simplificação do tratamento pode favorecer a adesão e reduzir o risco de recaídas.
Tratamento chega também às crianças
Desde março de 2026, o SUS passou a disponibilizar uma formulação pediátrica da tafenoquina para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam recebido o medicamento. A formulação pediátrica estava disponível em 54 municípios e 17 DSEIs, segundo o Ministério da Saúde.
O uso, entretanto, depende de uma condição de segurança: a realização prévia do teste de atividade da enzima G6PD. A deficiência dessa enzima pode aumentar o risco de destruição das hemácias, processo conhecido como hemólise, quando o paciente utiliza medicamentos como a tafenoquina.
Queda é ainda maior entre os Yanomami
Entre os povos indígenas, o Ministério da Saúde destaca os resultados obtidos no DSEI Yanomami. Ao todo, 1.515 pessoas receberam tratamento com tafenoquina.
Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em comparação com o mesmo período de 2025. Já entre janeiro e julho, o número de casos recuou 55%, passando de aproximadamente 17 mil para 7,6 mil.
O resultado reforça a importância da estratégia em territórios nos quais o acompanhamento contínuo dos pacientes e a conclusão de tratamentos podem ser mais difíceis.
Um cuidado na interpretação dos dados
Apesar da associação feita pelo Ministério da Saúde entre a redução da malária e a introdução da tafenoquina, os números disponíveis não permitem atribuir toda a queda exclusivamente ao medicamento.
A própria pasta informa que os resultados refletem um conjunto de medidas, entre elas a ampliação do diagnóstico, da testagem e do tratamento adequado. Assim, a relação mais segura é afirmar que a redução dos casos ocorreu em paralelo à expansão do uso da tafenoquina e ao reforço das demais ações de controle da doença.
Números que resumem o avanço
- 118.037 casos de malária registrados no Brasil em 2025 — menor número desde 1978.
- 39 mortes por malária em 2025, contra 56 em 2024 — queda de aproximadamente 30,4%.
- +33,7 mil pessoas receberam tafenoquina pelo SUS até junho de 2026.
O Brasil participou da pesquisa clínica
A Fiocruz Amazônia, em Manaus, participou de estudos clínicos com tafenoquina para Plasmodium vivax. Um exemplo é o estudo pediátrico iniciado em 2017, coordenado por pesquisadores como Marcus Vinicius Guimarães de Lacerda e Fernando Fonseca Val, avaliando segurança, farmacocinética e eficácia da tafenoquina em crianças. O estudo foi financiado pela GlaxoSmithKline.
A Amazônia brasileira reúne uma das maiores cargas de P. vivax do mundo e apresenta condições epidemiológicas diferentes das populações em que muitos medicamentos são inicialmente estudados.
Um dos pontos decisivos para a entrada da tafenoquina no SUS foi o chamado estudo TruST, que avaliou não apenas o medicamento, mas a capacidade do sistema de saúde de realizar previamente o teste quantitativo de G6PD.
Isso era fundamental porque a tafenoquina pode provocar hemólise grave em pessoas com deficiência da enzima G6PD.
Na primeira avaliação, em 2021, a Conitec chegou a recomendar a incorporação, mas com condicionantes. A principal preocupação era justamente saber se seria possível implementar com segurança o teste de G6PD na rotina dos serviços.
Posteriormente, os resultados do estudo de implementação mostraram que era possível capacitar as equipes e realizar o teste no campo, e que a dose única favorecia a adesão ao tratamento. Esses dados foram decisivos para a nova avaliação da Conitec.
14.828 mortes no período de 1980 a 2025
A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium. A transmissão ocorre principalmente pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles.
No Brasil, a grande maioria dos casos é causada pelo Plasmodium vivax, enquanto o Plasmodium falciparum é responsável por uma parcela menor, mas é a espécie associada às formas mais graves da doença. Também existem formas menos comuns de transmissão, como transfusão de sangue, compartilhamento de agulhas contaminadas e transmissão congênita.
Os principais sintomas da malária são febre, calafrios, suor intenso, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço, fraqueza, náuseas, vômitos, dor abdominal e falta de apetite. Nos casos graves, podem ocorrer confusão mental, convulsões, dificuldade para respirar, icterícia, anemia intensa, insuficiência renal e até coma.
Em 1988, o Brasil bateu o recorde histórico de 1.039 mortes por malária. Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) com os boletins do Ministério da Saúde, o país acumulou 14.828 mortes no período de 1980 a 2025 pela doença. O registro de óbitos por malária começou em 1979.
Com informações do Ministério da Saúde.
@minsaude
Acesse o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DATASUS)
O Brasil registrou 14.828 mortes por malária entre 1980 e 2025, segundo a série histórica do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.





