A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou de “alto” para “muito alto” o risco imposto pelo surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). O anúncio foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
“O surto de ebola da República Democrática do Congo está se espalhando rápido. Anteriormente, a OMS havia avaliado o risco como alto nos níveis nacional e regional e como baixo globalmente. Estamos agora revisando nossa avaliação de risco para muito alto nacionalmente, alto regionalmente e baixo globalmente”, completou Tedros.
Dados da OMS mostram que, até o momento, 82 casos de ebola foram confirmados na RDC, além de sete mortes.
“Sabemos que a epidemia no país é muito maior. Há quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas”, destacou o diretor-geral.
Segundo ele, em 21/05 houve um “incidente de segurança” em um hospital localizado na província de Ituri – tendas e suprimentos de saúde foram incendiados.
“Construir a confiança nessas comunidades é essencial para uma resposta bem-sucedida e é uma das nossas maiores prioridades”, concluiu Tedros.
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Regulamento Sanitário Internacional
Em 19 de maio de 2026, em conformidade com o Artigo 12 - Determinação de uma emergência de saúde pública de importância internacional, incluindo uma emergência pandêmica do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), o diretor-geral convocou a primeira reunião do Comitê de Emergência do RSI sobre a epidemia de doença de ebola causada pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e em Uganda.
O parecer do Comitê alinhou-se à determinação do diretor-geral de que o evento constitui uma ‘Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPII)’, mas não atende aos critérios para uma emergência pandêmica. O Comitê reconheceu que a epidemia está ocorrendo em um dos ambientes operacionais mais desafiadores possíveis; portanto, qualquer resposta deve incorporar informações contextuais essenciais para aumentar as chances de sucesso.
Vacina contra ebola pode demorar até 9 meses
Uma vacina capaz de combater a cepa de ebola que atinge a África pode demorar de seis a nove meses para ficar pronta para ser aplicada na população. A informação foi divulgada pela OMS, em Genebra.
De acordo com o consultor e líder da área de pesquisa e desenvolvimento da entidade, Vasee Moorthy, o processo de seleção de imunizantes candidatos está sendo acelerado diante dos surtos da doença registrados na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, mas levará meses para ser concluído.
Segundo Moorthy, há uma vacina sendo desenvolvida para combater especificamente a cepa Bundibugyo, responsável pelos surtos na África, mas não há doses do imunizante disponíveis para ensaios clínicos neste momento.
“Esta deve ser a vacina priorizada como a mais promissora contra a cepa Bundibugyo. A informação que temos é que isso provavelmente levará de seis a nove meses”, destacou.
Uma outra vacina candidata para combater a doença, segundo o consultor, também está em desenvolvimento, cujas doses para ensaios clínicos podem estar disponíveis em cerca de dois ou três meses.
Entenda o caso
No início do mês, autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) emitiram alerta sobre um surto de alta mortalidade causado por uma doença até então desconhecida no município de Mongbwalu, na província de Ituri. O cenário incluía até mesmo mortes entre profissionais de saúde.
Cerca de dez dias depois, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, capital da RDC, analisou 13 amostras de sangue colhidas no distrito de Rwampara. A avaliação laboratorial confirmou a presença do vírus Bundibugyo em oito das 13 amostras colhidas.
No dia 15/05, o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país.
Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda, país vizinho, confirmou surto de ebola, também do vírus Bundibugyo, após identificar um caso importado: um congolês que morreu na capital, Kampala.
No dia seguinte, o diretor-geral da OMS, após consultar ambos os Estados-Membros onde os surtos foram identificados, determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo tanto na RDC quanto em Uganda constitui emergência em saúde pública de importância internacional.
Com informações de Paula Laboissière, Agência Brasil; Organização Mundial da Saúde (OMS).
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