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Mapa apresenta perfil sociodemográfico e clínico do autismo no Brasil

Dados representam histórias, desafios e a necessidade de construir um país mais preparado para acolher a neurodiversidade

2/04/2026 - 18:24 Por Wilson Lopes

Em uma iniciativa não-governamental dedicada a compreender, com profundidade, a realidade das pessoas autistas no país, será lançado dia 09/04/26 o Mapa Autismo Brasil (MAB)

O estudo, idealizado pelo Instituto Autismos, tem por objetivo traçar um perfil sociodemográfico e clínico de pessoas autistas de todas as idades com diagnóstico médico, buscando construir um panorama detalhado sobre a questão, fornecendo dados essenciais para embasar políticas públicas e melhorar o acesso a serviços e direitos.

Ao todo, foram ouvidas 23.632 pessoas de todos os estados. Dessas respostas, 18.175 são de pessoas responsáveis por uma pessoa autista, 2.221 são as responsáveis e também estão dentro do espectro. A pesquisa teve ainda 4.604 respostas de pessoas autistas acima dos 18 anos de idade.

“A maior parte das cuidadoras são mulheres. E grande parte dessas mulheres não está no mercado de trabalho. Isso fala muito sobre o cuidado”, adiantou a presidente do instituto, a musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf, em entrevista à Agência Brasil.

Os dados detalhados só serão publicados oficialmente no dia 9/04, uma semana após o dia de conscientização sobre o autismo

Diagnóstico precoce

Steinkopf enfatizou que a média da idade do diagnóstico no Brasil tem sido igual aos padrões internacionais: em torno dos 4 anos de idade. Ela explica que quanto mais jovem for a pessoa diagnosticada, melhor será o caminho para os tratamentos e cuidados necessários para estímulo. Um fator de alerta que o levantamento vai trazer é que as famílias gastam mais de R$ 1 mil com as terapias necessárias. 

Sistema público

Em relação aos desafios do atendimento de pessoas com autismo no sistema público, o governo federal emitiu nota garantindo que ampliou a assistência a pessoas com transtorno do espectro autista com investimento de R$ 83 milhões.

O Ministério da Saúde anunciou que vai habilitar 59 novos serviços, que incluem Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado.

Recomendações

A respeito dos resultados do mapeamento, a pesquisadora acrescentou que o poder público federal e de cada estado vai receber recomendações de melhoria no atendimento com base nesses dados. Não obstante, ela entende que tem aumentado, ano a ano, a sensibilização e a conscientização sobre o autismo.

Não invisibilizar a doença é importante, por exemplo, para existirem mais pesquisas e especialistas em autismo. No Brasil, a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que 2,4 milhões de pessoas sejam autistas.

Quanto mais cedo vier o diagnóstico, maior é a possibilidade de que as famílias procurem seus direitos, que vão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a ações de inclusão na educação, saúde e bem-estar, por exemplo.

O ‘Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo’ tem o objetivo de levar informação à população e reduzir o preconceito contra indivíduos que apresentam o transtorno do espectro autista (Isadora Heloysa/Prefeitura de Paraíso/TO)

Transtorno do espectro autista

No dia 2 de abril, celebra-se o ‘Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo’, criado em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de levar informação à população e reduzir o preconceito contra indivíduos que apresentam o transtorno do espectro autista (TEA).

“O transtorno do espectro do autismo é uma condição do desenvolvimento neurológico atípico, que se manifesta nos anos iniciais do desenvolvimento e que acarreta atipicidade nas áreas de interação social e de comunicação social”, explica o neuropsicólogo Mayck Hartwig, que trabalha com o atendimento clínico de adultos autistas.

Segundo Hartwig, os primeiros sinais do autismo já podem ser percebidos a partir dos 18 meses de idade.

“O diagnóstico do autismo é feito de forma multidisciplinar. Envolve tanto um médico especialista, que é geralmente um psiquiatra ou um neurologista; o neuropsicólogo, que vai fazer também uma avaliação do comportamento; e pode incluir também outros profissionais da área de saúde que têm uma capacitação para identificação do autismo. Em alguns casos, já é possível haver uma indicação diagnóstica e o encaminhamento para terapia. Em outros casos, é mais difícil conseguir fazer um diagnóstico precoce”.

Com informações de Luiz Claudio Ferreira e Vitor Abdala, Agência Brasil.
@mab.autismo @institutosautismos @prefeituradeparaiso

Acesse o Mapa Autismo Brasil>>

 

 


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