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Retrato socioeconômico

Painel com 228 indicadores revela desigualdades entre estados

Ferramenta compara as 27 unidades da Federação em 12 áreas, incluindo renda, educação, trabalho, saúde, segurança, atividade econômica, habitação, meio ambiente e situação fiscal

20/09/2026 - 09:32 Por Wilson Lopes

Um painel atualizado pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) reúne 228 indicadores das 27 unidades da Federação para comparar diferentes dimensões das condições econômicas, sociais e ambientais dos estados brasileiros. 

No recorte de extrema pobreza em 2025, Goiás registra 1,9% da população nessa situação, ocupando a 7.ª menor taxa entre as UF. Mato Grosso apresenta o menor percentual, com 1,3%, enquanto Maranhão registra o maior, com 9,0%.

A diferença entre os extremos chega a 7,7 pontos percentuais. Em Mato Grosso, 1,3% da população está abaixo da linha de extrema pobreza; no Maranhão, são 9,0%. Os números estão no banco de dados do painel IMDS – Eleições 2026: Indicadores Estaduais, cuja documentação apresenta indicadores estaduais coletados de diferentes bases públicas. 

O painel foi estruturado em 12 áreas: Ambiente de Negócios, Assistência Social, Atividade Econômica, Distribuição de Renda e Pobreza, Educação, Fiscal, Habitação, Meio Ambiente, Mercado de Trabalho, Mobilidade Social, Saúde e Segurança. A proposta é disponibilizar informações que permitam comparar as unidades federativas e acompanhar diferentes dimensões do desenvolvimento. 

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Goiás: 1,9% em extrema pobreza

O dado de Goiás merece uma correção importante em relação a versões anteriores da análise.

Na base de 2025, 1,919% dos moradores de Goiás estavam em situação de extrema pobreza, percentual apresentado no painel como 1,9%. O estado aparece atrás de Mato Grosso (1,3%), Minas Gerais (1,4%), Mato Grosso do Sul (1,6%), Espírito Santo (1,8%), Paraná (1,8%) e Rio Grande do Sul (1,8%).

O Distrito Federal registra 1,941%, enquanto Santa Catarina aparece com 1,992% e São Paulo, com 2,334%.

A definição utilizada pelo painel considera como extrema pobreza a situação de pessoas cuja renda domiciliar per capita está abaixo da linha de extrema pobreza. O indicador é calculado a partir de dados da PNAD Contínua do IBGE. 

Além da baixa extrema pobreza, Goiás também apresenta 5,0% da população em situação de pobreza em 2025, segundo a planilha de indicadores (Governo de Goiás)

A distância regional

Na outra ponta da distribuição estão Maranhão, Acre, Pernambuco e Alagoas. O Maranhão registra 9,0%, seguido pelo Acre, com 8,7%, Pernambuco, com 7,7%, e Alagoas, com 7,3%.

O contraste mostra uma concentração das maiores taxas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto percentuais menores aparecem principalmente entre unidades do Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

O indicador, entretanto, não deve ser interpretado isoladamente. O painel inclui também pobreza, desigualdade, renda, emprego, educação, saúde, segurança e outras dimensões, justamente para permitir uma leitura mais ampla da realidade de cada estado.

Goiás também aparece entre os estados com menor pobreza

Além da extrema pobreza, Goiás apresenta 5,0% da população em situação de pobreza em 2025, segundo a planilha de indicadores.

No mesmo ano, a renda domiciliar per capita registrada para Goiás foi de aproximadamente R$ 2.377,68 mensais, enquanto o Índice de Gini ficou em 0,479.

O painel utiliza diferentes indicadores para avaliar a distribuição da renda. O Gini varia de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, menor a concentração da renda; quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. O documento também utiliza o Índice de Palma, que compara a parcela da renda apropriada pelos 10% mais ricos com aquela recebida pelos 40% mais pobres. 

Crianças e extrema pobreza

O recorte por idade mostra outro aspecto relevante. Em Goiás, 3,15% das crianças e adolescentes de 0 a 17 anos estavam em situação de extrema pobreza em 2025, segundo a base.

O indicador é calculado considerando a renda domiciliar per capita das pessoas nessa faixa etária e sua população total. 

Educação coloca Goiás entre os primeiros em alguns indicadores

Os dados educacionais também mostram diferenças importantes. Em 2025, Goiás registrou 6,4 pontos no Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental, 5,6 nos anos finais e 4,9 no ensino médio da rede pública.

Nos anos finais, o resultado de 5,6 coloca Goiás na segunda posição entre as UF, atrás do Paraná, com 5,8. No ensino médio, Goiás também registra 4,9, ficando atrás do Paraná, com 5,1, e empatado numericamente com o Espírito Santo.

O Ideb combina indicadores de desempenho em Língua Portuguesa e Matemática com o rendimento escolar. A documentação ressalta que os resultados apresentados no painel são referentes exclusivamente à rede pública

Outro dado de Goiás é a taxa de aprovação: 98,9% nos anos iniciais, 98,3% nos anos finais e 97,8% no ensino médio, em 2025.

Mercado de trabalho: informalidade atinge 35%

No mercado de trabalho, Goiás registrou 35,1% de informalidade em 2025.

Entre os jovens de 18 a 29 anos, a taxa foi de 31,7%.

O estado também apresentou 19,2% de jovens de 18 a 24 anos que não trabalhavam nem estudavam. Entre as mulheres da mesma faixa etária, o percentual foi de 21,2%.

O painel define o grupo “nem-nem” como pessoas de 18 a 24 anos que não estudavam nem estavam ocupadas na semana de referência da pesquisa.

A renda média domiciliar proveniente do trabalho em Goiás foi de aproximadamente R$ 3.635 em 2025, segundo a base.

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Empresas: abertura elevada, mas inadimplência também aparece

O ambiente de negócios apresenta um contraste. Goiás registrou, em 2025, uma taxa líquida de abertura de empresas de 1.377,7 por 100 mil habitantes e de 1.256,8 microempresas por 100 mil habitantes.

Ao mesmo tempo, a taxa de inadimplência da carteira ativa de pessoas jurídicas chegou a 4,19%.

O tempo médio para abertura de empresas foi de aproximadamente 14,8 horas.

A metodologia considera empresas abertas e fechadas com base no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica e utiliza dados do Banco Central para os indicadores de crédito e inadimplência. 

Saúde: tuberculose está entre as menores taxas

Em 2025, Goiás registrou 19,8 casos confirmados de tuberculose por 100 mil habitantes, terceiro menor valor entre as unidades da Federação na base.

A taxa de mortalidade infantil foi de 12,3 mortes por mil nascidos vivos em 2024.

Na área de atenção materna, 83,7% dos nascidos vivos estavam associados a sete ou mais consultas de pré-natal, segundo um dos indicadores do painel.

Os indicadores de saúde utilizam fontes oficiais e incluem desde mortalidade e internações até informações sobre saúde dos adolescentes. A documentação detalha as fórmulas e bases utilizadas para cada indicador. 

Segurança apresenta resultados distintos

Em Goiás, a taxa de homicídios foi de 21,4 por 100 mil habitantes em 2023.

Já a taxa de mortes violentas intencionais chegou a 18,8 por 100 mil habitantes em 2024.

Outro indicador mostra que 86,5% dos municípios goianos estavam na categoria de concentração de municípios violentos com taxa igual ou superior a 10 homicídios por 100 mil habitantes, em 2024.

Os números precisam ser lidos de acordo com o ano de referência de cada indicador, já que o painel não utiliza uma única data para todas as variáveis.

Dona Zinaide, da Associação de Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper, na Reserva Extrativista Mangabeiras Missionário Uilson de Sá, em Aracaju, Sergipe (Rafa Neddermeyer/ABr)

Meio ambiente entra pela primeira vez na atualização

Uma das principais novidades da edição de 2026 é a inclusão do tema Meio Ambiente. O IMDS informa que foram incorporados indicadores relacionados à interação entre atividade humana, recursos naturais e impactos ambientais e tecnológicos sobre as condições de vida da população. 

Em Goiás, a base registra 239,6 pessoas diretamente afetadas por desastres por 100 mil habitantes em 2025.

As emissões de gases de efeito estufa chegaram a 13,28 toneladas de CO equivalente por habitante em 2024. No mesmo ano, o estado apresentou queda de 4,2% nas emissões, segundo o indicador de variação anual.

O tema ambiental é uma das mudanças estruturais da edição de 2026.

Habitação: acesso à água supera 99%

Na área habitacional, 99,4% da população de Goiás vivia, em 2025, em domicílios com serviços de água potável gerenciados de forma segura.

O percentual de pessoas vivendo em domicílios sem banheiro de uso exclusivo** era de apenas **0,09%.

6,3% da população vivia em domicílios sem acesso à internet.

Os três números mostram que os diferentes indicadores habitacionais podem apresentar resultados bastante distintos dentro do mesmo território.

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O principal cuidado: os indicadores não são todos de 2025

Uma das informações metodológicas mais importantes dos arquivos anexados é que os 228 indicadores não formam uma fotografia de um único ano.

Embora vários indicadores já tenham dados de 2025, outros têm como referência 2024, 2023, 2022 ou até 2019.

É o caso da Mobilidade Social, cujos indicadores utilizados no painel têm referência em 2019. Eles avaliam, entre outros aspectos, a relação entre a renda das famílias na infância e a posição econômica alcançada na vida adulta.

Essa diferença temporal precisa ser observada antes de comparar indicadores.

Outra ressalva: 2026 não é diretamente comparável a 2022

A nota de atualização do IMDS afirma que a versão de 2026 incorporou novos temas, excluiu indicadores descontinuados e adotou alterações metodológicas decorrentes das bases oficiais. Por isso, o instituto recomenda priorizar a versão atual para novas consultas e ressalta que não é possível garantir comparabilidade estrita entre os resultados de 2026 e os publicados no painel anterior

Um dos motivos é a revisão dos microdados da PNAD Contínua pelo IBGE. A série histórica de 2012 a 2024 foi reponderada com base nos resultados do Censo Demográfico 2022, provocando alterações retroativas em indicadores. 

Com informações do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS)
@imdsbrasil @agencia.brasil @ibgeoficial

Acesse o IMDS Eleições 2026: Indicadores Estaduais

 

 


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