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Desmatamento cai 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado

Monitoramento do INPE aponta as menores taxas da série histórica na Amazônia, iniciada em 1988, e no Cerrado, em 2001

18/10/2026 - 11:08 Por Wilson Lopes

A área desmatada na Amazônia caiu 41,8% e chegou a 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, enquanto o Cerrado registrou redução de 23,8%, para 5.516,69 km². Os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), divulgados pelo governo federal em 16 de outubro, apontam os menores valores das séries históricas dos dois biomas, monitorados desde 1988 e 2001, respectivamente.

Apesar da redução, o Cerrado registrou uma área desmatada cerca de 65% maior que a da Amazônia no período. Juntos, os dois biomas somaram 8.851,69 km² de vegetação suprimida, segundo os números divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Agentes do Ibama e da Força Nacional identificam madeira extraída ilegalmente durante ação de fiscalização em terra indígena no Pará (Ibama)

Pará lidera desmatamento na Amazônia

Na Amazônia Legal, o Pará apresentou a maior área desmatada, com 1.130 km², equivalente a 33,9% do total do bioma. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 849 km² (25,5%), e Amazonas, com 525 km² (15,7%).

Os três estados concentraram aproximadamente 75% da área desmatada na Amazônia no período analisado. Em comparação com o ciclo anterior, as áreas registradas diminuíram 45,3% no Pará, 46,7% em Mato Grosso e 46,4% no Amazonas.

A redução, porém, não ocorreu em todos os estados. Em Roraima, a área desmatada passou de 285 km² para 286 km², aumento de 0,4%. O estado foi a exceção entre as nove unidades da Federação relacionadas na tabela do Prodes para a Amazônia Legal.

Máquinas de fazenda de cultivo de soja na região do Vão do Uruçuí, nos Gerais de Balsas, no Maranhão (Fernando Frazão/ABr)

Maranhão e Tocantins concentram desmatamento no Cerrado

No Cerrado, o Maranhão liderou o ranking, com 1.718,59 km² desmatados, ou 31,2% do total. Tocantins aparece em segundo lugar, com 1.263,06 km² (22,9%), seguido pelo Piauí, com 625,24 km² (11,3%), e pela Bahia, com 489,75 km² (8,9%).

Juntos, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — estados que integram o Matopiba, região de expansão da fronteira agropecuária — responderam por 74,3% da área desmatada no bioma.

O Piauí registrou uma das maiores reduções proporcionais entre os estados com áreas mais extensas de desmatamento: queda de 53,7%, de 1.350,44 km² para 625,24 km². Na Bahia, o recuo foi de 38%, enquanto Maranhão e Tocantins apresentaram reduções de 14,3% e 15,2%, respectivamente.

Em Goiás, a área desmatada no Cerrado caiu de 230,97 km² para 210,37 km², redução de 8,9%. Minas Gerais registrou 467,34 km², queda de 8,7%. Já Mato Grosso manteve praticamente o resultado anterior, com 454,52 km², variação negativa de apenas 0,2%.

Como o INPE calcula a taxa de desmatamento

O Prodes monitora anualmente a supressão da vegetação nativa por imagens de satélite. Os dados de 2026 correspondem ao período de 1.º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026, e os resultados são expressos em quilômetros quadrados.

Há uma diferença importante entre os dois levantamentos divulgados. Na Amazônia, o número de 3.335 km² é uma estimativa baseada nas imagens prioritárias disponíveis. A taxa consolidada será divulgada posteriormente, após o processamento da totalidade das imagens previstas. No Cerrado, o resultado é consolidado porque o mapeamento abrangeu 100% do território do bioma.

O relatório técnico também aponta que, no acumulado de quatro anos, a taxa caiu 71,2% na Amazônia e 48,4% no Cerrado. Esses percentuais representam uma comparação de prazo mais longo e não devem ser confundidos com as reduções anuais divulgadas.

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Políticas de prevenção e controle do desmatamento

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, as ações federais combinam monitoramento por satélite, fiscalização, ordenamento territorial e incentivo a atividades produtivas sustentáveis. Entre os instrumentos citados estão os planos de prevenção e controle do desmatamento da Amazônia Legal e do Cerrado, restabelecidos em 2023.

O governo também destaca incentivos ambientais no Plano Safra 2026/2027, programas de pagamento por serviços ambientais, o Bolsa Verde e o Fundo Amazônia. A divulgação dos resultados, entretanto, não permite atribuir a redução observada a uma única política ou iniciativa: essa avaliação exigiria análise específica da contribuição de cada medida.

Os números mostram uma redução expressiva da supressão da vegetação nativa nos dois biomas. Ao mesmo tempo, a distribuição estadual evidencia que a pressão permanece concentrada em áreas específicas, sobretudo no Pará, no Maranhão e em Tocantins, o que mantém o desafio de combinar fiscalização, conservação e produção sustentável.

Com informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
@mmeioambiente @bndesgovbr
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Acesse a apresentação técnica do INPE e do MMA



 


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