O Brasil registrou 9.287.196 chegadas de turistas internacionais em 2025, o maior número da série apresentada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e um crescimento de 37,1% em relação a 2024. O desempenho coloca o país entre os destaques da edição 2026 do relatório ‘OECD Tourism Trends and Policies’, publicação que analisa políticas e indicadores de turismo de 53 países membros e parceiros.
O resultado brasileiro também representa um crescimento de aproximadamente 46% em relação a 2019, último ano antes da pandemia, quando o país havia recebido 6.353.141 turistas internacionais. Em 2024, foram 6.773.619.
O salto brasileiro ocorreu em um cenário de expansão mais moderada do turismo internacional. Nos países da OCDE, as chegadas cresceram 8,1% em 2024, alcançando 819,5 milhões de turistas, e avançaram cerca de 3,4% em 2025. Em outras palavras, o crescimento brasileiro em 2025 foi mais de dez vezes superior à média estimada para os países da organização.
Brasil supera antecipadamente meta prevista para 2027
O resultado chama atenção porque o próprio Plano Nacional de Turismo 2024/2027 estabelecia como objetivo receber 8,1 milhões de turistas estrangeiros até 2027. Com 9,3 milhões em 2025, o Brasil ultrapassou a meta em aproximadamente 1,2 milhão de visitantes, dois anos antes do prazo previsto.
O plano estabelece ainda a meta de alcançar 150 milhões de turistas domésticos até 2027, com o objetivo de consolidar o Brasil como a maior economia turística da América do Sul.
O relatório destaca que os principais mercados emissores de turistas para o Brasil são a Argentina, responsável por 36,5% do fluxo internacional, seguida por Chile (8,6%), Estados Unidos (8,2%) e Paraguai (5,7%). Somados, os quatro países respondem por cerca de 59% dos visitantes estrangeiros.
Além do aumento do número de visitantes, houve expansão das receitas. Os gastos de turistas internacionais no Brasil chegaram a quase US$ 7,9 bilhões em 2025, valor 31,2% superior ao nível pré-pandemia, em termos nominais.
Em 2024, as receitas internacionais de viagens haviam sido de US$ 7,34 bilhões, contra US$ 6,91 bilhões em 2023 e US$ 6 bilhões em 2019. Entretanto, brasileiros gastaram US$ 19,67 bilhões no exterior em 2024, fazendo o país registrar déficit de aproximadamente US$ 12,33 bilhões na conta de viagens internacionais.
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Turismo sustenta 2,3 milhões de empregos formais no Brasil
A importância econômica do turismo também aparece no mercado de trabalho. Segundo a OCDE, viagens e turismo sustentaram aproximadamente 2,3 milhões de empregos formais no Brasil em 2024, correspondentes a 4% do emprego total.
O número supera os 2,1 milhões de postos registrados em 2019, antes da pandemia. As receitas de viagens internacionais corresponderam ainda a 15,3% das exportações brasileiras de serviços em 2024.
A OCDE destaca que o país ainda apresenta forte potencial de crescimento não explorado no turismo.
Entre as prioridades brasileiras identificadas no relatório estão a qualificação profissional, ampliação das competências digitais, adoção de novas tecnologias pelas empresas turísticas e simplificação do acesso ao crédito. O orçamento nacional de turismo informado à OCDE é de R$ 3,9 bilhões.
França lidera em número de turistas; Espanha se aproxima dos 100 milhões
No cenário internacional, a França permaneceu como o país com maior número de turistas internacionais, chegando a cerca de 102 milhões em 2025. A Espanha recebeu 96,8 milhões, seguida pela Turquia, com 62 milhões, e pela Itália, com 61,3 milhões. O México recebeu 47,8 milhões de turistas e o Japão, 42,7 milhões.
Entre os países parceiros analisados, além do Brasil, destacaram-se Marrocos, com 19,8 milhões, Egito, com 18,9 milhões, e Indonésia, com 15,4 milhões de visitantes em 2025.
Alguns dos maiores crescimentos entre 2019 e 2025 ocorreram na Arábia Saudita (+67%), Marrocos (+53%), Egito (+47%), Brasil (+46%) e Malta (+46%). Já países como Estados Unidos, Argentina, Irlanda e Canadá ainda apresentavam em 2025 volumes inferiores aos registrados antes da pandemia.
Turismo movimenta US$ 1,1 trilhão em exportações nos países da OCDE
O relatório dimensiona o peso econômico global do setor. Em média, o turismo responde diretamente por 4% do PIB, 6,3% dos empregos e 19,3% das exportações de serviços dos países da OCDE.
As receitas internacionais de viagens desses países chegaram a US$ 1,1 trilhão em 2024, crescimento real de 8,4% em um ano. Os países da OCDE concentraram 63,1% das receitas mundiais de viagens internacionais naquele ano.
Os Estados Unidos tiveram a maior receita internacional entre os países analisados, com US$ 213,8 bilhões em 2024. Em seguida aparecem Espanha, com US$ 106,5 bilhões, Reino Unido, com US$ 84,5 bilhões, França, com US$ 77 bilhões, e Itália, com US$ 58,7 bilhões.
A Espanha apresentou o maior saldo positivo de viagens entre os integrantes da OCDE: US$ 73,8 bilhões. Turquia, com US$ 48,9 bilhões, e Japão, com US$ 40,4 bilhões, vieram na sequência.
O Japão também registrou um dos movimentos mais expressivos: as receitas internacionais de turismo cresceram 37,6% entre 2023 e 2024, acompanhando a expansão de 47,1% das chegadas naquele período.

Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Paraíba aparecem em programa brasileiro
O estudo também identifica iniciativas brasileiras com impacto estadual e local. Uma delas é o REVIVE Brasil, programa destinado a recuperar imóveis públicos de valor histórico e arquitetônico e destiná-los a atividades turísticas por meio de concessões e parcerias com a iniciativa privada.
A OCDE cita projetos em quatro estados: Forte Orange, em Pernambuco; Estação Ferroviária de Diamantina, em Minas Gerais; Fazenda Pau d'Alho, em São Paulo; e Fortaleza de Santa Catarina, na Paraíba.
A proposta é transformar patrimônios subutilizados em hotéis, centros culturais, restaurantes e outros equipamentos turísticos, atraindo investimento privado, preservando imóveis tombados e criando empregos.
O relatório também destaca a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, que conecta unidades de conservação, áreas rurais e comunidades tradicionais, estimulando turismo de natureza e mobilidade ativa.
Turismo cresce, mas cidades começam a enfrentar pressão
Apesar dos recordes, a OCDE alerta que medir o sucesso do turismo apenas pelo aumento do número de visitantes tornou-se insuficiente.
A concentração de turistas em determinados destinos pode elevar a pressão sobre moradia, transporte público, trânsito, saneamento, abastecimento de água, saúde e espaços públicos, enquanto cidades e regiões menos visitadas permanecem sem acesso aos mesmos benefícios econômicos.
A organização recomenda inclusive aprofundar indicadores municipais, como custo dos serviços públicos por diária turística, congestionamentos relacionados à sazonalidade, produção de resíduos, consumo de água, impacto de cruzeiros, capacidade de parques e áreas históricas e efeitos dos aluguéis de curta duração sobre a oferta de moradias.
A conclusão é que as políticas precisam distribuir turistas tanto geograficamente quanto ao longo do ano, sem simplesmente transferir os problemas de destinos saturados para localidades ainda despreparadas.
Eventos climáticos extremos já provocam prejuízos bilionários
Outro alerta central da edição de 2026 é a crescente exposição do turismo às mudanças nas condições climáticas.
A quantidade de pessoas expostas a temperaturas extremas nos países da OCDE e parceiros aumentou cerca de 12% entre 2019 e 2023, em comparação com o período de referência de 1981 a 2010. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado até então e encerrou uma década formada pelos dez anos mais quentes da série.
A OCDE estima que eventos meteorológicos extremos severos podem reduzir o PIB regional em 2,2%. Mesmo cinco anos depois, a perda permanece em aproximadamente 1,7%.
Os efeitos também atravessam fronteiras locais: um desastre severo ocorrido em um raio de até 100 quilômetros está associado a uma redução adicional de 0,5% no PIB das regiões próximas. No conjunto dos países da OCDE, esses eventos estão associados a perdas anuais superiores a 0,3% do PIB.
Um exemplo citado é Jasper, em Alberta, no Canadá. O parque nacional recebe cerca de 2,4 milhões de visitantes por ano, e o turismo responde por 49% dos empregos locais. Incêndios florestais em julho de 2024 obrigaram a retirada de 25 mil moradores e turistas, destruíram cerca de 30% das estruturas e mais de 800 unidades habitacionais.
A perda turística foi estimada em 4,5 milhões de dólares canadenses por dia, e a capacidade de hospedagem permanecia aproximadamente 25% menor um ano depois.
Nos Estados Unidos, o furacão Irma provocou queda de 11,6% nas reservas hoteleiras da Flórida, redução de 1,8 milhão de turistas e perda estimada de US$ 1,5 bilhão em gastos turísticos.
Madrid, na Espanha, aparece como exemplo de adaptação: durante períodos de calor extremo, museus e equipamentos culturais passaram a ser promovidos como refúgios climáticos, inclusive com apresentações gratuitas de flamenco.
OCDE propõe mudança no conceito de sucesso turístico
A principal conclusão do ‘OECD Tourism Trends and Policies 2026’ é que o turismo demonstrou forte capacidade de recuperação, mas o simples crescimento do número de visitantes não deve mais ser tratado como principal indicador de sucesso.
Para a organização, os países precisam migrar para um modelo baseado no valor econômico e social gerado pelo turismo, considerando simultaneamente competitividade, qualidade de vida dos moradores, sustentabilidade ambiental e capacidade de resistir a crises.
Isso envolve maior coordenação entre governos nacionais, estaduais e municipais; participação das comunidades nas decisões; investimentos em infraestrutura que atendam turistas e moradores; apoio às pequenas empresas; melhor distribuição territorial dos visitantes; digitalização; inteligência artificial; qualificação profissional; sistemas de alerta e preparação para eventos climáticos extremos.
No caso brasileiro, o cenário apresentado pela OCDE combina dois movimentos: o país vive uma expansão excepcional do turismo internacional e já superou antecipadamente sua meta oficial de visitantes para 2027, mas precisará transformar esse aumento de fluxo em renda, empregos e desenvolvimento local sustentável.
A mensagem central do relatório é que a próxima etapa do crescimento turístico não será determinada apenas por quantas pessoas viajam, mas por quanto valor permanece nos destinos, como os benefícios chegam às comunidades e quão preparadas cidades e regiões estão para absorver visitantes e enfrentar crises climáticas, econômicas e geopolíticas.
O relatório ‘OECD Tourism Trends and Policies 2026’ foi aprovado pelo Comitê de Turismo da OCDE em junho de 2026, com dados e perfis estatísticos de 53 países membros e parceiros.
Com informações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
@the_oecd @mturismo @embraturbrasil @abavnacional
Acesse a edição de 2026 do relatório Tendências e Políticas do Turismo da OCDE






