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58% dos casais formados por mulheres

Uniões homoafetivas completam 15 anos com 480 mil casais

Reconhecimento da união estável pelo Supremo Tribunal Federal em 2011 seguiu avanço mundial em relação aos direitos de pessoas LGBTQIA+

5/05/2026 - 12:31 Por Alice Rodrigues e Mariana Tokarnia, Agência Brasil.

No dia 5 de maio de 2011, há exatos 15 anos, uma decisão unânime dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu uniões homoafetivas como núcleos familiares com os mesmos direitos de casais heterossexuais. 

A decisão não só abriu portas para garantir benefícios de uma união estável – como herança, garantias fiscais, previdenciárias e de saúde –, como também marcou o início de uma década e meia de conquistas e avanços sociais. 

Antes da decisão, não havia uma jurisprudência consolidada sobre o reconhecimento da união homoafetiva, e os casos dependiam da interpretação de cada juiz.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 cerca de 58 mil casais homoafetivos viviam em união estável. Já no último Censo, realizado em 2022, esse número saltou para 480 mil.

A união consensual é a mais comum, totalizando 77,6% dos casais, seguida pelo casamento no civil (13,5%), civil e religioso (7,7%) e apenas religioso (1,2%) - (Freepik)

Avanço mundial

O reconhecimento no Brasil seguiu um avanço mundial em relação aos direitos de pessoas LGBTQIA+.

Em 2009, apenas sete países permitiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo (Bélgica, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Canadá e África do Sul) e oito a união civil, com todos ou praticamente todos os direitos do casamento (Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Islândia, Suíça, Reino Unido, Nova Zelândia e Colômbia). 

Já em 2026, o casamento passou a ser legalizado em 38 países, sendo 11 só no continente americano. Outros 11 países permitem alguma forma de reconhecimento legal da união, alternativa ao casamento. 

Decisão histórica

Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou a Resolução 175/2013, impedindo que cartórios de todo o país se recusassem a converter uniões estáveis homoafetivas em casamentos, ou a celebrar o casamento em primeira mão, sem a necessidade de uma união estável prévia.

A decisão se tornou patrimônio documental da humanidade no Registro Nacional do Brasil, pelo Programa Memória do Mundo da Unesco.

Outra vitória importante para garantir direitos e proteção contra violência foi a criminalização da LGBTfobia, que entrou em vigor em 2019 e equipara a homofobia e a transfobia ao crime de racismo. 

Dados do IBGE indicam que, em 2022, 58% dos casais LGBTQIA+ eram formados por mulheres e 42%, por homens. A união consensual é a mais comum, totalizando 77,6% dos casais. Seguido pelo casamento no civil (13,5%), civil e religioso (7,7%) e apenas religioso (1,2%). 

União estável e casamento têm o mesmo valor jurídico em termos de direito sucessório. Uma diferença é que a união estável não altera o estado civil, a pessoa continua solteira, divorciada ou viúva, por exemplo.

Com informações da Agência Brasil.
@supremotribunalfederal @cnj_oficial @ibgeoficial @universolgbti

Acesse a Resolução 175/2013 - Dispõe sobre a habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo>>


 


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